Confrontos no Iêmen estão saindo do controle, alerta enviado das Nações Unidas
BR

16 fevereiro 2022

Hans Grundberg menciona ataques recentes dos Emirados Árabes e da Arábia Saudita e pede mais esforços do lado iemenita e da comunidade internacional; conflito começou há sete anos e último mês foi marcado por recorde de vítimas civis.  

O enviado especial das Nações Unidas para o Iêmen afirma que o conflito no país está “saindo do controle”, com ataques recentes aos Emirados Árabes Unidos e à Arábia Saudita. 

Hans Grundberg falou ao Conselho de Segurança na terça-feira e fez um apelo ao lado iemenita e à comunidade internacional “por mais esforços para se acabar com o conflito”, que já está no sétimo ano.  

Ataque a detidos  

Destruição na cidade de Sadaa, Iêmen.
Foto: © WFP/Jonathan Dumont
Destruição na cidade de Sadaa, Iêmen.

O enviado da ONU citou ataques realizados em janeiro pelos Houthis contra os Emirados Árabes. Grundberg afirmou ainda que para os iemenitas, o último mês foi marcado por “um número terrível de vítimas civis”. Um ataque aéreo das forças de coalizão em um centro de detenção em Sadaa deixou mais de 300 presos mortos ou feridos, sendo um dos piores incidentes dos últimos três anos.  

Houve aumento de ataques aéreos em áreas residenciais e em infraestruturas civis em Sanaa e também na cidade portuária de Hudayda. O representante da ONU explicou que “a guerra também está acontecendo no campo econômico, com os dois lados e aliados brigando por recursos, fluxos comerciais, políticas monetárias e o porto do Mar Vermelho”.  

No Conselho de Segurança, Grundberg mencionou que o impacto “da guerra continua sendo sentido de forma irrefutável na população do Iêmen. No último mês, já houve falta de combustível e derivados de petróleo, principalmente em áreas controladas pelos Houthis.  

Liberdade de imprensa  

Conselho de Segurança debateu a situação no Iêmen.
Foto: UN Photo/Loey Felipe
Conselho de Segurança debateu a situação no Iêmen.

Depois de uma longa espera, quatro navios foram autorizados a entrar em Hudaydah este mês, mas apenas um tinha material para o comércio comum, não sendo suficiente para atender toda a demanda da população. Por isso, o enviado da ONU ao Iêmen pediu aos lados em conflito para removerem todos os obstáculos.  

Intimidações, detenções e assédio a profissionais da mídia e ativistas também são realidade no país, por isso Grundberg fez um apelo às partes para “protegerem a liberdade de imprensa e libertarem imediatamente todos os jornalistas e ativistas políticos que estão detidos.  

O enviado especial explicou que está criando uma rede para avançar com um acordo político inclusivo, levando em conta os interesses políticos, econômicos e de segurança. Grundberg começará uma série de consultas bilaterais na próxima semana com partidos políticos, representantes da sociedade civil e especialistas iemenitas de vários setores.  

Ajuda humanitária  

Veículos com soldados passa ao lado de mulheres pedindo ajuda em Lahj, Iêmen.
Foto: © UNOCHA/Giles Clarke
Veículos com soldados passa ao lado de mulheres pedindo ajuda em Lahj, Iêmen.

Ele garantiu ao Conselho de Segurança que continuará explorando todas as possibilidades para acabar com o conflito. O chefe humanitário da ONU, Martin Griffiths, também participou do debate e afirmou não “haver sinais de que a guerra no Iêmen está prestes a terminar.” 

Ele descreveu uma “escalada perigosa” da violência nas últimas seis semanas, com mais de 650 civis mortos ou feridos em janeiro – uma média de 21 civis por dia, vítimas de ataques aéreos, bombardeios e tiroteios.  

Segundo Griffiths, esta é a pior situação dos últimos três anos, com a guerra chegando até as “casas, escolas, mesquitas, hospitais e outros locais onde civis deveriam estar protegidos.” 

O subsecretário-geral para Assuntos Humanitários lembrou que após sete anos, existe uma geração inteira de crianças iemenitas que nunca viu nada além da guerra. 

Os trabalhadores humanitários no terreno precisam de financiamento para continuar com as operações de ajuda aos que mais precisam. O Programa Mundial de Alimentos, PMA, teme não conseguir distribuir refeições a milhões de pessoas no Iêmen a partir de março devido à falta de verbas.  

 

 

 

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