Mais de 90% dos países tiveram interrupções de serviços de saúde desde 2020 BR

Segundo OMS, atendimento por ambulâncias também foi prejudicado.
Cruz Vermelha da Indonésia
Segundo OMS, atendimento por ambulâncias também foi prejudicado.

Mais de 90% dos países tiveram interrupções de serviços de saúde desde 2020

Saúde

Após dois anos da pandemia, OMS destaca que maioria das nações registrou rompimentos no fornecimento de tratamento de saúde materna, neonatal, de nutrição, de câncer e de saúde mental. 

A Organização Mundial da Saúde, OMS, revela que dois anos após o início da pandemia de Covid-19, muitos sistemas de saúde continuam enfrentando adversidades para fornecer serviços básicos. 

Mais de 90% dos países analisados pela agência da ONU confirmaram que vários serviços médicos essenciais foram suspensos. Desde a chegada do coronavírus, houve dificuldades para fornecer cuidados de saúde materna e neonatal e para garantir o sucesso de campanhas de imunização contra diversas doenças.  

Impactos no tratamento de câncer  

Enfermeira leva vacinas em ambulância na Índia.
Foto: UNICEF India/Srishti Bhardwaj
Enfermeira leva vacinas em ambulância na Índia.

O atendimento para pacientes com câncer, doenças mentais, com problemas de nutrição ou de abuso de substâncias também ficou comprometido. A OMS revela ainda que os países confirmam interrupções no tratamento contra malária, hepatite, HIV, doenças tropicais negligenciadas e nos cuidados com idosos.  

A pesquisa foi feita no final de 2021, sugerindo que os sistemas de saúde em todas as regiões do mundo e em países de todos os níveis de renda continuam sendo severamente afetados, sendo que praticamente não houve nenhuma melhoria no último ano.  

Em mais da metade dos países analisados, muitas pessoas continuam sem conseguir receber os cuidados mais básicos de saúde. A OMS destaca que os tratamentos de emergência também tem sido afetados: 36% dos países confirmam que as ambulâncias não estão funcionando como deveriam; 32% das nações têm interrupções nos prontos-socorros e em 23%, as cirurgias de emergência sofrem com os impactos da pandemia.   

Cirurgias que não foram realizadas  

Muitas cirurgias foram remarcadas ou não foram realizadas.
Unfpa
Muitas cirurgias foram remarcadas ou não foram realizadas.

Cirurgias eletivas foram suspensas em 59% dos países, o que pode causar consequências de longo prazo. Enquanto as nações lutam para manter os serviços essenciais de saúde, 92% dos países relatam ter dificuldades para ampliar o acesso a ferramentas essenciais de combate à Covid-19, incluindo diagnósticos, tratamentos, vacinas e material de proteção pessoal.  

A pesquisa mostra que problemas com a força de trabalho são as principais barreiras no acesso à tratamento, com médicos e enfermeiros sofrendo de exaustão, sendo infectados com Covid-19 ou abandonando a profissão.  

A OMS revela ainda outros desafios: falta de financiamento, de equipamentos e de suprimentos e falta de dados, de informação e de estratégias. Mas todos os países que participaram da pesquisa estão adotando medidas para reverter a situação, incluindo a ampliação do fornecimento dos serviços de saúde online. 

Além disso, 70% das nações afirmaram que já estão utilizando financiamento adicional dos governos para os trabalhos de recuperação da força de trabalho, acesso a medicamentos e à saúde digital e gestão de informações e da desinformação.  

De acordo com a OMS, os resultados da pesquisa mostram “a importância de ação urgente para tratar os grandes desafios dos sistemas de saúde, para recuperar serviços e mitigar os impactos da pandemia de Covid-19”. Neste sentido, a agência garante que continuará prestando apoio aos países na fase de transição para a recuperação, fim da fase aguda da pandemia e preparo para emergências futuras.