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Brasil ainda vive situação muito crítica com a Covid-19, diz médico da Opas BR

Uma profissional de saúde segura uma seringa e um frasco da vacina contra a COVID-19, com uma mulher usando máscara ao fundo, durante um evento de vacinação no Brasil.
Opas/Karina Zambrana Funcionária de saúde prepara vacina contra Covid-19 no Brasil

Brasil ainda vive situação muito crítica com a Covid-19, diz médico da Opas

Saúde

País pode enfrentar várias semanas de transmissão com o novo coronavírus e corre risco de sobrecarregar ainda mais seus serviços de saúde; Organização Pan-Americana da Saúde continua colaborando com autoridades e com especialistas do Sistema Único de Saúde para conter a pandemia.

A Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, afirmou que segue colaborando com o Brasil para ajudar a conter a pandemia da Covid-19 no país.
Com a vacinação, houve uma leve redução das taxas de mortes e internações. Mesmo assim, como em outras nações nas Américas, a doença permanece uma ameaça e a população não deve baixar a guarda.

Controle

Foi o que disse à ONU News, o vice-diretor da Opas, Jarbas Barbosa, nesta entrevista de Washington.

“O Brasil ainda vive uma situação muito crítica. Assim como quase todos os países da América Latina, o país, muitas vezes, tem uma pequena redução no número de mortes diárias, mas não consegue alcançar um controle. A transmissão continua num patamar muito elevado, o que exige que o Ministério da Saúde, os governadores, os governos estaduais, as Secretarias de Saúde dos estados e municípios, mantenham um alerta muito forte, mantenham todas as medidas, tenham uma boa comunicação com a população porque, provavelmente, nós ainda teremos, no Brasil, várias semanas de transmissão com risco, em alguns lugares, dos serviços de saúde, os hospitais, as UTIs, terem sua capacidade ultrapassada. Isso é um risco muito importante, por isso nós temos trabalhado com o SUS no Brasil, a Opas, apoiando, prestando cooperação técnica e ajudando a que o país possa fazer as melhores decisões e implantar aquelas medidas que tenham a base em evidências científicas, e conseguir controlar a transmissão, reduzir o número de casos, reduzir as mortes, salvar vidas, que eu creio que é o fundamental nesse momento.”

Para a Opas, é preciso manter as medidas de prevenção do vírus com distanciamento social, higienização das mãos e uso de máscaras.  A organização afirma que a vacinação somente não vai resolver o problema e tampouco fará desaparecer o risco de contaminação.

Um profissional de saúde administra a vacina contra a COVID-19 a um indígena trajando vestimentas tradicionais durante uma campanha de vacinação no Brasil.
Opas Indígena recebe vacinação COVID-19 no Brasil, onde casos de Covid-19 sobem novamente

Gravidade

O médico Jarbas Barbosa afirmou que uma nova pandemia pode ocorrer a qualquer momento. Ele citou casos desde a década de 2000 de novos vírus que surgiram na Ásia, alguns com mais gravidade e outros com menos. O médico lembra que o vírus enfrenta mutações e gera novas variantes. Mas para ele, o mais importante é que os países estejam melhor preparados. 

Um trabalhador de saúde com equipamento de proteção completo segura uma bandeja de frascos de vacina em uma linha de montagem em uma instalação da COVAX em Pune, na Índia.
Unicef/Dhiraj Singh OMS quer contar com o apoio de países-doadores para fortalecer a capacidade de vigilância das nações em desenvolvimento

Resposta

Cada nação deve aumentar sua capacidade de detecção e resposta. A Organização Mundial da Saúde, OMS, quer contar com o apoio de países-doadores para fortalecer a capacidade de vigilância das nações em desenvolvimento.

O especialista citou ainda o sucesso do mecanismo de cooperação Covax, mas disse que é preciso criar um conjunto de regras para garantir o acesso equitativo e o financiamento adequado para a distribuição de doses.

Jarbas Barbosa lembrou a máxima da OMS sobre a pandemia: ninguém estará seguro até que todos estejam seguros.