Covid-19 continua interrompendo serviços essenciais de saúde em 90% dos países 
BR

23 abril 2021

Existem sinais de recuperação, mas apenas grandes esforços devem fortalecer e restaurar o atendimento no setor; em cerca de 66% dos países, razões relacionadas à força de trabalho são as principais causas das interrupções.  

A Organização Mundial da Saúde, OMS, revela que após um ano de pandemia, nove em cada 10 países, membros da agência, ainda lutam com interrupções no setor. 

Em 2020, em média, cerca de metade dos serviços essenciais de saúde foram interrompidos. No primeiro trimestre de 2021, no entanto, pouco mais de um terço dos serviços sofria mudanças causadas pela crise. 

Melhor maneira 

Muitos países intensificaram informações sobre mudanças na prestação de serviços e a melhor maneira de obter cuidados de saúde com segurança, além de fazer uma triagem das necessidades mais urgentes. 

Mulheres trabalhadoras do departamento de medicina esportiva do Hospital Shenzhen Second
Man Aihua
Mulheres trabalhadoras do departamento de medicina esportiva do Hospital Shenzhen Second

Mais da metade dos membros da OMS afirmam ter recrutado mais pessoal, reencaminhando pacientes a outras instalações e utilizando métodos alternativos, como serviços domiciliares, receitas médicas para vários meses e telemedicina. 

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que “é encorajador ver que os países estão começando a reconstruir seus serviços essenciais de saúde, mas ainda há muito a ser feito.” 

Para Tedros, “a pesquisa destaca a necessidade de aumentar esforços, fechar lacunas e fortalecer serviços.” Ele diz que é especialmente importante acompanhar os países que já tinham dificuldades antes da pandemia. 

Causas 

Para cerca de 66% dos países, razões relacionadas à força de trabalho são as principais causas das interrupções. As cadeias de suprimentos também continuam afetadas em quase um terço das nações. 

A comunicação também tem que melhorar.  Mais da metade dos países sofreram interrupções porque os pacientes ficaram desconfiados de procurar atendimento e tiveram medo de contaminação.  

Ao mesmo tempo, 43% dos Estados-membros destacam questões financeiras como a principal causas de dificuldades.  

Como resultado, milhões de pessoas ainda estão perdendo serviços de saúde vitais.  

Problemas comuns 

O maior impacto, relatado por quase metade dos países, é na prestação de cuidados primários diários para prevenir e tratar problemas de saúde comuns. Tratamento paliativo, reabilitação ou para doenças crônicas são gravemente afetados especialmente entre idosos e pessoas com deficiência. 

Já as intervenções de emergência, cuidados críticos e cirúrgicos ainda são estão sendo interrompidos em cerca de 20% dos países. Dois terços dos Estados-membros adiaram cirurgias não urgentes alongando a lista de espera. 

Médicos e funcionários da saúde em hospital improvisado em Wuhan, na China
Sang Huachao
Médicos e funcionários da saúde em hospital improvisado em Wuhan, na China

Tratamento de transtornos mentais, neurológicos e de uso de substâncias, doenças tropicais negligenciadas, tuberculose, HIV, hepatite B e C, exames de câncer e serviços para outras doenças crônicas, incluindo hipertensão e diabetes, planejamento familiar e contracepção, atendimento odontológico de urgência e desnutrição constam a lista de consultas atrasadas. 

Imunização e malária 

O relatório é publicado na véspera da Semana Mundial de Imunização, que começa este sábado, 24 de abril, e do Dia Mundial da Malária, no domingo.  

Mais de um terço dos países ainda estão interrompendo os serviços de imunização. O mesmo acontece em quase 40% dos países para um ou mais serviços de malária. 

Em comunicado, a diretora-executiva do Fundo da ONU para a Infância, Unicef, Henrietta Fore, disse que “para as crianças, as interrupções nos serviços de vacinação têm consequências graves.” 

Segundo ela, “não se pode permitir que a luta contra a Covid-19 prejudique a  batalha contra o sarampo, a poliomielite ou outras doenças evitáveis ​​por vacinas.” 

 

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