ONU diz estar atenta à situação de direitos humanos após golpe militar em Burquina Fasso
BR

25 janeiro 2022

Alta comissária reforça pedido de libertação imediata do presidente deposto Roch Kaboré e de funcionários detidos; Michelle Bachelet ressalta que é essencial que o espaço democrático seja efetivamente protegido na nação africana.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos afirmou esta terça-feira que seu escritório continuará acompanhando de perto a situação em Burquina Fasso, após a tomada do poder por militares.

Michelle Bachelet condenou profundamente os eventos que na segunda-feira culminaram com o ato, ao apelar à libertação imediata do presidente Roch Kaboré e de funcionários de alto nível que foram detidos. A chefe de direitos humanos pediu ainda um rápido retorno à ordem constitucional. 

Autoridades

Agências de notícias informaram que Kaboré se encontra detido numa base militar. Membros do exército teriam justificado a tomada do poder pelo que entendem como “fracasso das autoridades depostas em unir a nação e lidar efetivamente com a crise de segurança”.

Bachelet destaca que na visita feita em novembro ao Burquina Fasso, enfatizou a importância de se preservar os ganhos democráticos e de direitos humanos conquistados pelo país. Ela destacou, em particular, as eleições legislativas e presidenciais pacíficas realizadas em 2020.

Michelle Bachelet chamou a atenção para  a restrição contínua do espaço de discussão ou crítica de políticas
ONU/Antoine Tardy
Michelle Bachelet chamou a atenção para a restrição contínua do espaço de discussão ou crítica de políticas

 

Na ocasião, a alta comissária disse ter observado “a crescente frustração e impaciência” com o desgaste da situação de segurança, refletido em “ataques cada vez mais cruéis de grupos armados não estatais e outros atores violentos em toda a região do Sahel e com a resposta das autoridades”. 

Espaço democrático 

Para Bachelet, diante das ameaças à segurança e dos enormes desafios humanitários que o país enfrenta,  é “mais importante do que nunca garantir o respeito ao Estado de direito, à ordem constitucional e às obrigações do país sob o a lei internacional dos direitos humanos”.

A alta comissária considera essencial que o espaço democrático seja efetivamente protegido, para garantir que as pessoas possam expor suas queixas e aspirações e participar de um diálogo significativo para se atuar enfrentando as diversas crises no país.

Na segunda-feira, o secretário-geral António Guterres reiterou o total compromisso das Nações Unidas com a preservação da ordem constitucional no país da África Ocidental. O chefe da ONU reafirmou o apoio ao povo burquinabe nos esforços para resolver os desafios que enfrenta. 
 

 

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