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ONU alarmada com violência que causou fuga de milhares no oeste de Mianmar BR

Uma cena noturna de rua no oeste de Yangon, Myanmar, com um pôr do sol dourado e a Pagoda Kyaiktiyo visível ao longe.
Unsplash/Alexander Schimmeck Relatores da ONU pedem sanções econômicas a Mianmar

ONU alarmada com violência que causou fuga de milhares no oeste de Mianmar

Paz e segurança

Forças de segurança estariam por trás de mortes, ferimentos e destruição de bens das populações de Mindat; especialista independente da ONU apela à comunidade internacional para punir junta que tomou poder em fevereiro.

As Nações Unidas expressam alarme com o impacto humanitário da violência na cidade de Mindat, no oeste de Mianmar, a antiga Birmânia. Mais de 4 mil pessoas foram deslocadas por ataques alegadamente envolvendo forças de segurança. 

Uma multidão de pessoas reunida à noite numa rua, vista por trás.
Unsplash/Zinko Hein Pessoas em Yangon organizando vigilia em memória das vítimas da violência

Incidentes  

Milhares se esconderam em florestas e montanhas em busca de segurança e proteção após a violência iniciada em 12 de maio. Estima-se que na cidade um número maior de pessoas não tenha sido autorizado a sair no auge dos confrontos.

Há relatos de mortes, ferimentos e destruição de bens das populações da área. Para a ONU, a outra preocupação é com o alegado uso de civis como escudos humanos pelas forças de segurança e com relatos de agressão sexual a mulheres e meninas.

Comida, água, abrigo, cuidados de saúde e psicológicos para casos violência de gênero estão entre as necessidades urgentes, tanto pessoas que foram obrigadas a fugir como para as que permanecem em Mindat.

As Nações Unidas atuam com parceiros para avaliar e atender a essas necessidades. Essas atividades enfrentam limitações por questões de acesso humanitário, incluindo insegurança e bloqueios de estradas.

Em nota separada sobre o país, um especialista em direitos humanos elogiou os Estados Unidos, o Reino Unido e o Canadá pelo anúncio de uma nova série de sanções contra a junta que tomou o poder pela força em 1 de fevereiro.

Manifestantes seguram cartazes com a inscrição "Não Aceitamos Golpe Militar" em frente à Casa Branca, em Washington, DC, para protestar contra o golpe militar em Mianmar.
Unsplash/Gayatri Malhotra Manifestação contra o golpe militar de Mianmar em frente à Casa Branca em Washington, DC, Estados Unidos

Repressão 

O relator especial sobre o Mianmar, Tom Andrews, considera imperativo que a comunidade internacional agrave a punição contra o Conselho Administrativo do Estado, SAC, num momento em que se intensifica a repressão ao povo.

Adrews disse que ao sancionar não apenas os indivíduos, mas o próprio Conselho Administrativo do Estado, abre-se caminho para a inclusão de pessoas que continuam a fazer negócios com a junta incentivando ataques aos birmaneses.

Para o especialista, a designação de sanções aos membros do SAC representa um novo golpe para as finanças da junta, sendo “um passo significativo na direção certa”. 
Sob as novas medidas, cidadãos norte-americanos estão proibidos de fornecer fundos, bens ou serviços que beneficiem o Conselho Administrativo do Estado. Além disso, as transações em dólares em benefício da junta são proibidas caso envolvam o setor financeiro.

Thomas Andrews, um homem careca de óculos, sorri enquanto está sentado em um sofá verde.
John Boal O relator especial para os Direitos Humanos em Mianmar, Tom Andrews

Penalidades

Bancos nacionais e outras entidades envolvidas nessas operações com um elo norte-americano podem ser penalizados civil e criminalmente nos Estados Unidos, se facilitarem de forma deliberada operações em moeda local.

Em relação às medidas que foram impostas na segunda-feira pelo Reino Unido e pelo Canadá, o especialista disse esperar que estas levem a um regime de sanções multilaterais duro e totalmente coordenado. 

Andrews disse que esse anúncio “permitirá às nações desferir o golpe mais poderoso possível contra o horror”.