Conselho de Segurança abre caminho para assistência chegar a afegãos desesperados
BR

23 dezembro 2021

Resolução foi adotada de forma unânime, prevenindo que financiamento caia nas mãos do Talibã; coordenador humanitário da ONU classifica decisão como histórica, com meta de salvar muitas vidas; com Inverno, crianças correm risco de enfrentar várias doenças respiratórias. 

O Conselho de Segurança aprovou por unanimidade, na quarta-feira, uma resolução que abre os caminhos para a entrada de ajuda para alcançar “afegãos que precisam desesperadamente de apoio”. O documento tem também um outro objetivo: evitar que o financiamento vá parar nas mãos do Talibã. 

A resolução do órgão foi elogiada pelo subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários. Segundo Martin Griffiths, “a decisão é histórica e salvará muitas vidas”, além de ser uma “prova de que os Estados-membros do Conselho estão levando à sério os níveis chocantes de sofrimento no país.” 

Ajuda livre de sanções 

Martin Griffiths, subsecretário-geral da ONU, esteve reunido com a liderança do Talibã no segundo semestre de 2021.
Foto: Ocha
Martin Griffiths, subsecretário-geral da ONU, esteve reunido com a liderança do Talibã no segundo semestre de 2021.

O texto do documento declara que assistência humanitária e outras atividades que apoiam necessidades humanas básicas ficam livres de sanções impostas em resoluções de 2011 e de 2015. Além disso, pessoas e entidades associadas ao Talibã foram declaradas “uma ameaça à paz, à estabilidade e à segurança”.  

As medidas aprovadas permitem o pagamento de fundos, outros recursos financeiros ou econômicos e o fornecimento de bens e de serviços necessários para garantir que a assistência à população seja entregue a tempo.   

O Conselho de Segurança pede a Martin Griffiths que atualize o órgão sobre a situação a cada seis meses e faça, daqui a um ano, uma revisão sobre a implementação da resolução.  

Ampliação da assistência em 2022  

Mães e filhos esperam por consulta médica em Kandahar, Afeganistão
Foto: © UNICEF/Alessio Romenzi
Mães e filhos esperam por consulta médica em Kandahar, Afeganistão

O subsecretário-geral explicou que essa exceção à ajuda humanitária permitirá às organizações implementarem o trabalho já planejado, garantindo, de forma legal, que as instituições financeiras e comerciais trabalhem em conjunto com as operações humanitárias.  

A adoção da resolução aconteceu depois de meses de discussões no Conselho de Segurança sobre como evitar um colapso econômico no Afeganistão após o Talibã tomar o poder do país em agosto. Na sequência, vários países congelaram bilhões de dólares que eram utilizados pelo governo anterior para garantir serviços básicos.  

Segundo Griffiths, as operações humanitárias no Afeganistão poderão ser as maiores do mundo em 2022, alcançando 22 milhões de pessoas.  

Crianças 

Nesta quinta-feira, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, revelou que as crianças do Afeganistão estão com um risco ainda maior de ficarem doentes devido a vários fatores: desnutrição, insegurança alimentar, falta de acesso à água potável e o frio extremo do Inverno.  

Segundo o Unicef, foram confirmados neste ano pelo menos 66 mil casos de sarampo entre crianças, além de casos de pólio e surtos de diarreia, malária e dengue.  

 

 

 

 

 

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