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Mianmar: Bachelet critica condenação e sentença para ex-líder Aung San Suu Kyi BR

Aung San Suu Kyi está sentada durante uma audiência na Corte Internacional de Justiça em Haia.
ICJ/Frank van Beek Julgamento da ex-líder birmanesa e Nobel da Paz ditou pena de quatro anos de prisão

Mianmar: Bachelet critica condenação e sentença para ex-líder Aung San Suu Kyi

Paz e segurança

Julgamento da ex-líder birmanesa e Nobel da Paz ditou pena de quatro anos de prisão; alta comissária da ONU pede libertação e critica decisão; acusações incluíam incitação à dissidência e violação das regras para conter a Covid-19; ela também é indiciada de corrupção e fraude eleitoral.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, lamentou esta segunda-feira a condenação e sentença da ex-líder de Estado de Mianmar, Aung San Suu Kyi, em nota pedindo sua libertação.  Ela deverá cumprir uma pena de quatro anos de prisão. 

Bachelet criticou o julgamento, que aconteceu a portas fechadas, em um processo que define como “secreto e perante um tribunal controlado por militares que não tem nada além de motivações políticas”.

Michelle Bachelet, Alta Comissária das ONU para os Direitos Humanos, discursa em uma coletiva de imprensa atrás de um pódio.
Foto: ONU/ Laura Jarriel Alta comissária de Direitos Humanos da ONU informou que qualquer ação para conter a disseminação de notícias falsas sobre a Covid-19 tem que ser proporcional.
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Golpe

Em sua avaliação, a sentença nega arbitrariamente a liberdade de Aung San Suu Kyi e fecha mais uma porta para o diálogo político. 

Bachelet afirma que a decisão aprofunda a rejeição ao golpe e endurece as relações em um momento em que é necessário dialogar para chegar à solução pacífica e política para a crise.

Para a alta comissária, os militares estão tentando instrumentalizar os tribunais para remover toda a oposição política. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também condenou o golpe no país, a sentença contra Suu Kyi e fez apelo ao fim imediato da violência e da repressão no país.

Aung San Suu Kyi foi condenada por incitação à dissidência e violação das regras para conter a Covid-19. Ela ainda enfrenta acusações de corrupção e fraude eleitoral que, de acordo com agências de notícias, podem resultar em mais de 100 anos de prisão. 

Prisões

Em novembro, outros ministros que faziam parte do governo foram condenados a até 90 anos de prisão sob a acusação de corrupção. Mais 10 mil pessoas foram presas desde o golpe em 1º de fevereiro deste ano e pelo menos 175 foram mortas por maus tratos ou tortura.

Bachelet também condenou o ataque “cruel e totalmente repreensível” relatado na cidade de Yangon. Na ocasião, forças de segurança usaram um caminhão para colidir com manifestantes desarmados e, em seguida, dispararam contra o grupo usando munição real.

A alta comissária expressou preocupação com o risco de esses acontecimentos agravarem ainda mais as tensões e a violência.
 

Dois soldados em uniformes camuflados fazem guarda perto de uma represa, com um rio transbordando ao fundo.
IRIN/Steve Sandford Soldados no estado de Kachin, em Mianmar