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Nações Unidas condenam uso da força em comunidade no Rio de Janeiro BR

Marta Hurtado discursa na conferência de imprensa da ONU em Genebra, no Palácio das Nações.
Foto: UN Photo/Elma Okic Marta Hurtado, porta-voz do Escritório da ONU para os Direitos Humanos.

Nações Unidas condenam uso da força em comunidade no Rio de Janeiro

Direitos humanos

Escritório de Direitos Humanos pede investigação imparcial e independente após oito corpos terem sido encontrados no Complexo do Salgueiro, município de São Gonçalo; porta-voz lembra que operação policial aconteceu apesar da decisão do STF que restringe ações nas favelas durante pandemia de Covid-19. 

O Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas defende uma investigação imparcial e independente para se descobrir o que aconteceu de fato no Complexo do Salgueiro, no município de São Gonçalo, Rio de Janeiro.  

Oito corpos foram encontrados na segunda-feira em um manguezal vizinho, após uma operação policial no local.  

Nesta terça-feira, em Genebra, a porta-voz do Escritório da ONU foi questionada por um jornalista sobre a situação. 

Último recurso  

Casas densamente agrupadas cobrem uma extensa encosta na favela do Rocinho, no Rio de Janeiro, Brasil.
Unicef/Giacomo Pirozzi Favela no Rio de Janeiro, Brasil

Marta Hurtado destacou que o Supremo Tribunal Federal proibiu, em 2020, operações policiais nas favelas do Rio de Janeiro enquanto durar a pandemia de Covid-19. 

Hurtado lembra às autoridades do Brasil que o uso da força deve ser aplicado somente quando for estritamente necessário e respeitando os princípios da legalidade, necessidade e proporcionalidade.  

A porta-voz disse ainda que a força letal deve ser o último recurso e apenas usada quando existe de fato uma ameaça à vida.  

Urgência em rever modelo 

O Escritório de Direitos Humanos da ONU está pedindo ao Ministério Público uma investigação eficaz e totalmente imparcial sobre o caso no Complexo do Salgueiro. Marta Hurtado destacou também a importância de garantir que os responsáveis pelas mortes sejam responsabilizados.  

Outro ponto ressaltado pela porta-voz foi o de que o Brasil precisa, com urgência, rever o modelo atual de ações policiais nas favelas.