ONU pede investigação de operação policial em favela no Rio de Janeiro, que matou pelo menos 25 
BR

7 maio 2021

O Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas afirma que recebeu relatos de que a polícia não teria preservado a cena do crime na comunidade de Jacarezinho, zona norte do Rio; intervenção também matou um agente da Polícia Civil. 

As Nações Unidas pediram às autoridades do Rio de Janeiro que investiguem, de forma independente e minuciosa, uma operação policial na favela do Jacarezinho, que matou pelo menos 25 pessoas incluindo um policial civil. 

O porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Rupert Colville, afirma que esta pode ter sido a operação mais letal no Rio de Janeiro em uma década. 

Tráfico 

Segundo a mídia local, os policiais entraram na favela nas primeiras horas de quinta-feira numa ação que incluiu batidas por terra e helicópteros. A polícia disse que estava à procura de suspeitos de tráfico de drogas. 

Muitas vítimas eram pessoas que passavam na hora e moradores dentro de suas próprias casas. Vários ficaram feridos. 

Colville afirma que houve uso “desproporcional e sem necessidade da força pela polícia do Brasil a população pobre, marginalizada em áreas dominadas por brasileiros afrodescendentes em comunidades conhecidas como favelas”. 

O porta-voz do Escritório de Direitos Humanos contou que recebeu relatos de que a polícia não teria preservado a cena do crime, o que pode atrapalhar as investigações desta operação letal. 

Esta parece ter sido a operação mais mortal em mais de uma década na cidade. Na imagem, a Rocinha, uma das mais de 700 favelas do Rio de Janeiro
Unicef/Giacomo Pirozzi
Esta parece ter sido a operação mais mortal em mais de uma década na cidade. Na imagem, a Rocinha, uma das mais de 700 favelas do Rio de Janeiro

Pandemia 

Para ele, é perturbador que a operação tenha ocorrido apesar de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, no ano passado, de restringir operações policiais nas favelas do Rio de Janeiro devido à emergência da pandemia. 

Colville lembrou às autoridades brasileiras que o uso da força só deve ser aplicado quando “estritamente necessário” e que deve sempre respeitar os princípios da legalidade, da precaução, da necessidade e da proporcionalidade”. 

Ele pediu ao Ministério Público que conduza uma investigação do incidente para saber se os padrões internacionais foram aplicados na operação do Jacarezinho. 

 

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