Mais de meio milhão de bebês nascem prematuros devido aos estreptococos B BR

Falta de tratamento e de vacinas expõe pessoas a bactérias muito perigosas.
CDC
Falta de tratamento e de vacinas expõe pessoas a bactérias muito perigosas.

Mais de meio milhão de bebês nascem prematuros devido aos estreptococos B

Saúde

OMS anuncia que impactos são bem maiores do que os reconhecidos previamente e pede urgência na criação de vacina para prevenir bactéria; grávidas geralmente não têm sintomas, mas riscos são extremamente altos para os fetos.  

Um novo estudo da Organização Mundial da Saúde, OMS, revela que os estreptococos do grupo B são grandes responsáveis por nascimentos prematuros, deficiências e até mesmo mortes de recém-nascidos. 

A bactéria está associada a meio milhão de casos de bebês prematuros por ano, um número maior do que o reconhecido anteriormente. Além disso, quase 150 mil recém-nascidos acabam morrendo todos os anos e os que conseguem sobreviver têm deficiências a longo prazo. 

Vacinas são urgentes  

Apesar de décadas de pesquisas, nenhuma vacina contra a Strep B foi aprovada.
© OMS/Ploy Phutpheng
Apesar de décadas de pesquisas, nenhuma vacina contra a Strep B foi aprovada.

A OMS explica que os estreptococos B são inofensivos para as grávidas, mas o risco é extremamente sério quando passam para os bebês durante a gravidez ou na hora do parto.  

Por isso, a agência da ONU está pedindo a criação, com urgência, de vacinas para reduzir o número de mortes e proteger a vida das crianças no mundo todo. O estudo foi feito em parceria com a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.  

O representante do departamento de Imunizações da OMS, o médico Phillipp Lambach, declarou que “essa nova pesquisa mostra como o estreptococos B é uma ameaça enorme à sobrevivência dos recém-nascidos”. 

Primeira pesquisa quantitativa  

Vacinas poderiam salvar milhares de bebês todos os anos
© Unicef/Zahara Abdul
Vacinas poderiam salvar milhares de bebês todos os anos

Lambach, que é também um dos autores do estudo, lembrou que os impactos para as famílias são arrasadores e por isso é urgente o desenvolvimento de uma vacina para as grávidas.  

É a primeira vez que uma pesquisa quantifica o impacto da bactéria nos nascimentos, incluindo deficiências neurológicas, como paralisia cerebral e perdas de visão e de audição.  

Várias vacinas estão em desenvolvimento, mas nenhuma foi aprovada até agora, apesar de já estarem na fila há décadas.  

Resultados possíveis  

Grávidas são afetadas pela bactéria, mas não têm sintomas.
Unicef/Shehzad Noorani
Grávidas são afetadas pela bactéria, mas não têm sintomas.

Cerca de 15% das grávidas no mundo todo, ou 20 milhões de mulheres por ano, carregam a bactéria estreptococos B, geralmente sem ter sintomas. A OMS calcula que se 70% das grávidas recebessem a vacina, seria possível evitar 50 mil mortes de recém-nascidos por ano e 170 mil partos prematuros.  

A transmissão acontece por via sanguínea para o feto ou durante o parto. Atutalmente, as mulheres que testam positivo recebem um antibiótico antes do parto para prevenir a doença nos recém-nascidos, mas mesmo assim, os riscos para a saúde do bebê podem ser altos.