Perspectiva Global Reportagens Humanas

Ocha prevê piora dramática da situação em Tigray, na Etiópia BR

Uma menina etíope aguarda por um exame nutricional em Adikeh, Wajirat, Tigray do Sul, Etiópia, em 19 de julho de 2021, como parte de uma resposta humanitária do Unicef .
Foto: © UNICEF/Christine Nesbitt Criança espera por avaliação nutricional em Tigray, Etiópia

Ocha prevê piora dramática da situação em Tigray, na Etiópia

Ajuda humanitária

Está impossível levar suprimentos de saúde e de nutrição, dinheiro e combustível à região; 90% da população da área precisa receber ajuda humanitária, sendo que 400 mil pessoas já estão famintas; meta é evitar uma das piores situações de fome do mundo em décadas.  

Com a impossibilidade de se levar suprimentos, dinheiro e combustível para o norte da Etiópia, as Nações Unidas estão prevendo “uma piora dramática” da situação humanitária na região de Tigray.  

Nesta quinta-feira, o coordenador humanitário interino da ONU no país, Grant Leaity, divulgou uma nota informando que 5,2 milhões de pessoas, ou 90% da população de Tigray, precisam receber, com urgência, algum tipo de ajuda.  

Uma mulher grávida segura um bebê enquanto um profissional de saúde mede o braço de outra criança para triagem de desnutrição.
© UNICEF/Christine Nesbitt Os confrontos entre tropas do Governo da Etiópia e forças regionais de Tigray, no norte do país, levou a “condições infernais”, segundo o chefe da ONU

Pior situação de fome  

Segundo ele, 400 mil já estão famintos e a entrega de assistência humanitária é essencial para “reverter a pior situação de fome do mundo em décadas.” Milhões de civis correm esse risco, incluindo 1,7 milhão nas fronteiras das regiões de Afar e Amhara. 

O conflito começou no ano passado quando tropas do governo e forças regionais em Tigray entraram em confrontos. 

Crianças, mulheres e grávidas também estão sofrendo com altos índices de desnutrição. Recentemente, o Unicef alertou que mais de 100 mil menores em Tigray poderão ter desnutrição aguda correndo risco de morte.  

Martin Griffiths, de 35 anos, e Trhas Bokuru, de 30, com dois de seus quatro filhos, sentam-se e ficam em pé em um centro para deslocados internos em Mekelle, Tigray, Etiópia.
Ocha//Saviano Abreu Uma família de Samre, no sudoeste de Tigray, caminhou por dois dias para chegar a um acampamento para deslocados em Mekelle

Bloqueio humanitário  

A região está sob um bloqueio humanitário “de fato” e com isso, a entrega de ajuda humanitária em Tigray está extremamente restrita. Segundo o representante da ONU, só existe uma rodovia por Afar que os parceiros humanitários podem utilizar, mas existem muitos impedimentos logísticos e burocráticos, tornando a passagem pela estrada extremamente difícil.  

Grant Leaity destaca que os estoques de comida acabaram no dia 20 de agosto e os de suprimentos, dinheiro e de combustível estão muito baixos ou quase acabando. Pelo menos 100 caminhões com comida e combustível deveriam entrar em Tigray todos os dias para uma resposta adequada à situação.  

Uma profissional de saúde examina uma criança pequena para verificar se há sinais de desnutrição em uma clínica em Tigray, Etiópia.
Foto: © UNICEF/Mulugeta Ayene Criança é avaliada em centro de saúde em Tigray, na Etiópia

Responsabilidade do governo 

Mas desde 12 de julho, apenas 335 caminhões entraram na região, ou 9% do volume considerado ideal, que seriam 3,9 mil caminhões.  

Segundo a ONU, só estão disponíveis US$ 20 mil para os parceiros humanitários em Tigray e o ideal seria conseguir US$ 132,5 milhões até o fim do ano. Em relação ao combustível, a última vez que um caminhão conseguiu entrar na região com gasolina foi no dia 16 de agosto.  

As Nações Unidas fazem um apelo a todas as partes em conflito para respeitarem e protegerem os trabalhadores humanitários. Ao governo da Etiópia, o pedido é para que permita e facilite o acesso de bens de ajuda humanitária, uma vez que o país “tem obrigações perante as leis internacionais, de restaurar serviços bancários, de eletricidade e de comunicações”.