Unicef ressalta impacto da questão do gênero sobre crianças migrantes e refugiadas
BR

27 agosto 2021

Quase metade dos menores que vivem fora de seus países de origem são meninas; elas são mais expostas a abusos, tráfico humano e violência sexual; já os meninos correm risco de recrutamento forçado e a viajarem desacompanhados.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, revela que o gênero de uma criança migrante ou refugiada de conflitos e guerras é fundamental para a forma como ela é tratada no país de abrigo.

A conclusão consta de um relatório divulgado nesta sexta-feira pela agência da ONU.

Pai e filha em um campo para deslocados no Afeganistão
© Unicef Afghanistan
Pai e filha em um campo para deslocados no Afeganistão

Europa

No ano passado, cerca de 35,5 milhões de crianças abaixo de 18 anos viviam fora de seus países de nascimento. Dentre elas estavam refugiados, solicitantes de asilo e migrantes internacionais.

Quase metade deste total eram meninas. No final de 2020, 10 milhões de menores refugiados se encontravam deslocados entre fronteiras, a maioria por causa de conflitos e guerras.

Nesse mesmo ano, cerca de 90% das crianças desacompanhadas buscando abrigo na Europa eram meninos.

O gênero também afeta a decisão de migrar. Meninas e mulheres estão mais propensas ao risco de violência sexual em áreas de conflito. Já os garotos acabam expostos a recrutamento de grupos armados.

Meninas e mulheres estão mais propensas ao risco de violência sexual em áreas de conflito. Já os garotos acabam expostos a recrutamento de grupos armados
Foto Acnur / Achilleas Zavallis
Meninas e mulheres estão mais propensas ao risco de violência sexual em áreas de conflito. Já os garotos acabam expostos a recrutamento de grupos armados

Riscos

Muitas meninas também podem ser forçadas a migrar para fugir de casamentos precoces, discriminação de gênero e outros riscos. A mudança climática é mais dura para elas.

Crianças correm risco na migração. Os meninos são mais resistentes a distâncias longas e cruzamento de fronteiras que meninas, que tendem a migrar internamente. 

Os garotos costumam viajar sozinhos, mas o número real de meninas nesta situação pode estar subnotificado. Em caso de tráfico humanos, as meninas superam os garotos numa média de quatro para três.

O gênero do menor migrante também determina como ele será aceito no novo país. No chamado Norte Global, as meninas têm melhores resultados acadêmicos que as contrapartes. A situação é oposta no Sul Global para os meninos.

Dois irmãos adolescentes da Gâmbia que viajaram sem os pais pelo mar Mediterrâneo caminham por uma praia na Itália.
© Unicef/Ashley Gilbertson
Dois irmãos adolescentes da Gâmbia que viajaram sem os pais pelo mar Mediterrâneo caminham por uma praia na Itália.

Termo

A divisão laboral baseada em gênero leva o sexo feminino a obter piores salários e trabalhos mais propensos à exploração. 

O Unicef lembra que não existe um termo, acordado internacionalmente para definir migrantes, a utilização varia de acordo com contexto e propósito. A Organização Internacional para Migrações, OIM, define migrante como alguém que muda de seu local de residência, dentro do país ou para outra nação, temporária ou permanentemente, e por uma variedade de razões. 

Por questões de estatísticas, a Divisão da ONU considera um migrante internacional o indivíduo que vive fora de seu país de residência original.

Já refugiados são pessoas que receberam proteção em outros países por causa de medo de perseguição baseada em raça, religião, nacionalidade, pertença a um determinado grupo social ou opinião política.
 

 

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