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Países adotam resposta de alta tecnologia para combater gafanhotos do deserto BR

Um enorme enxame de gafanhotos sobrevoa uma paisagem recortada no leste da África ao entardecer.
©FAO/Petterik Wiggers Nuvem de gafanhotos do deserto no leste da África

Países adotam resposta de alta tecnologia para combater gafanhotos do deserto

Clima e Meio Ambiente

Ferramentas com tecnologia de ponta estão sendo facilitadas pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura e Parceiros; nuvens viajam até 150 km em apenas um dia devorando campos inteiros de plantação, o que eleva riscos de insegurança alimentar.

Uma agência da ONU se uniu a parceiros internacionais para utilizar tecnologia de ponta no combate à praga de gafanhotos do deserto na África. 

No ano passado, nuvens do inseto se espalharam pelo leste do continente, pelo Iêmen e também pelo sudoeste da Ásia concentrando até 80 milhões de insetos num espaço de 1 km2.

Um enorme enxame de gafanhotos do deserto voa pelo céu em Ololokwe, no condado de Samburu, Quênia, visto de um ângulo baixo contra o sol e as silhuetas das árvores.
FAO/Sven Torfinn Nuvem de gafanhotos em Kipsing, no Quénia

Movimento

Para os agricultores e pequenos produtores da área, os gafanhotos são uma terrível ameaça. Eles podem viajar até 150 km em apenas um dia devorando todas as plantações pelo caminho.

Os riscos à agricultura e à segurança alimentar são imensos. Por isso, a FAO, parceiros e doadores produziram uma série de ferramentas de alta tecnologia para detectar as nuvens de gafanhotos, realizar a vigilância e ajudar os países afetados pela praga.

De início, a agência usa dados da previsão do tempo que são enviados para o Serviço de Informação sobre Gafanhoto do Deserto da FAO. Assim as autoridades nacionais têm como mapear o movimento dos insetos e permanecer um passo à frente das nuvens de gafanhotos.

Vista aérea de um avião amarelo pulverizando uma paisagem desértica no Quênia, como parte de uma operação de controle de gafanhotos supervisionada pela FAO.
© FAO/Judith Mulinge Operação de pulverização aérea contra invasão de gafanhotos do deserto em Samburu, no Quênia.

Emergência

Os dados estão disponíveis num tablet, facilmente transportado, e presente em 20 países participantes.  A última emergência elevou a demanda e não houve tempo hábil para treinar agricultores e pastores.

Até janeiro do ano passado, nuvens de gafanhotos do tamanho de cidade de Paris ou Nova Iorque estavam atravessando a África, uma região já impactada pela pobreza e pela insegurança alimentar.

Com a situação se agravando a cada dia, pesquisadores da Universidade da Pennsylvania, nos Estados Unidos, que fornecem tecnologia para os agricultores e já haviam criado um aplicativo para a FAO, partiram para a ação. Eles decidiram utilizar uma tecnologia já testada na África e adaptá-la contra a praga.

Em menos de um mês, o grupo desenvolveu um aplicativo de telefones celulares para coletar os dados sobre as nuvens.

Gafanhotos do deserto em um galho de árvore em Godobjiran, região de Nugal, Somália.
© FAO/Haji Dirir Praga dos gafanhotos do deserto continuará aumentando o risco de danos às pastagens e às plantações

Satélite

Mas nem todos os trabalhadores do campo africanos têm celular e muitas áreas do leste do continente estão fora da cobertura. Com isso, a FAO fez uma parceria com a Garmin, empresa de GPS, para modificar um satélite de dados que pudesse ultrapassar os obstáculos da falta de conectividade, assim foi criado o PlantVillage.

Agora, a FAO recebe 2,5 mil dados por dia. Deste total, um quarto não pode ser aproveitado por conter incorreções. Desta forma, os trabalhadores ficam informados sobre os ataques dos gafanhotos do deserto.

Um programa parecido que ajuda o Quênia a conservar a vida selvagem, por sugestão de guardas florestais, Earth Ranger, está sendo usado para monitorar a viagem das nuvens de gafanhotos.

Abubakar Abdiweli, do Ministério do Meio Ambiente e Agricultura de Puntland, utiliza o sistema elocust3 para monitorar um enxame de gafanhotos no deserto de Godobjiran, região de Nugal, Somália.
© FAO/Haji Dirir Invasão de gafanhotos do deserto que estão dizimando as plantações na Somália.

Nasa

A agência da ONU também coopera com especialistas em meteorologia e geógrafos do Reino Unido, da Agência Espacial Europeia e da Nasa, a Agência Espacial Americana.

Com essas operações, a invasão dos insetos está sendo reduzida na Etiópia, no Quênia e na Somália. E no leste da África, evitou-se a perda de 4 milhões de toneladas e cereais além de 800 milhões de litros de leite. 

O total de pessoas que evitaram cair na insegurança alimentar é de 36,6 milhões. 
Mesmo assim, a luta contra a praga de gafanhotos do deserto está longe de terminar.