ONU arrecada US$ 6,4 bilhões em Conferência de Doadores para a Síria  
BR

30 março 2021

Fundos devem permitir apoiar 12,3 milhões de pessoas no país e 5,6 milhões de refugiados sírios na região; falando na Assembleia Geral, no final do encontro, chefe da ONU, António Guterres, afirmou que não há solução militar para o conflito que já dura 10 anos.  

As Nações Unidas angariaram, esta terça-feira, durante uma Conferência de Doadores em Bruxelas, US$ 6,4 bilhões para financiar a resposta humanitária na Síria.   O apelo inicial era de US$ 10 bilhões. 

Cerca de US$ 4,4 bilhões devem financiar as operações durante este ano e US$ 2 bilhões serão investidos em 2022 e nos anos seguintes. 

Apoio 

Depois da conferência, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a resposta na Síria, que representa “a maior operação humanitária do mundo”,  precisa do apoio generoso dos doadores.  

Guterres lembrou que centenas de milhões de pessoas ainda lutam todos os dias porque não têm acesso confiável e barato à eletricidade
Foto ONU/Evan Schneider
Guterres lembrou que centenas de milhões de pessoas ainda lutam todos os dias porque não têm acesso confiável e barato à eletricidade

Segundo ele, no ano passado, as Nações Unidas e parceiros prestaram assistência a cerca de 7,7 milhões de sírios em média por mês. O número representa um aumento de cerca de 28% em relação a 2019. 

Este ano, o objetivo é chegar a cerca de 12,3 milhões de pessoas no território nacional, além de 5,6 milhões de refugiados sírios na região. 

Falando à Assembleia Geral, Guterres afirmou que “não existe haver solução militar para o conflito na Síria” e a comunidade internacional deve continuar buscando um acordo político de acordo com a resolução 2254 do Conselho de Segurança, adotada em 2015. 

Segundo ele, “a guerra na Síria não é apenas a guerra da Síria.” Por isso, “acabar com o enorme sofrimento que continua a causar é uma responsabilidade coletiva.” 

Antes da reunião, chefes de três agências da ONU pediram que os doadores apoiem o apelo recorde, 10 anos após o início do conflito. 

Destruição na cidade antiga de Aleppo, na Síria
Unesco
Destruição na cidade antiga de Aleppo, na Síria

Os líderes das agências da ONU para Refugiados, Acnur, para o Desenvolvimento, Pnud, e do Escritório de Coordenação para Assistência Humanitária, Ocha, lembram que com o impacto adicional da pandemia, não existe trégua para os civis. 

Os sírios enfrentam ainda o aumento da fome e da pobreza, deslocamento contínuo e ataques contínuos. 

Cerca de 80% dos refugiados sírios estão em países vizinhos. Mas esses mesmos países lidam com os crescentes desafios socioeconômicos dentro de casa. 

Ajuda 

Com o novo apelo, espera-se permitir a distribuição de alimentos, água e saneamento, serviços de saúde, educação, vacinação infantil e abrigo para milhões de pessoas. 

Cerca de metade das crianças na Síria nunca viveu um dia sem guerra
Ocha/Mahmoud Al-Basha
Cerca de metade das crianças na Síria nunca viveu um dia sem guerra

O dinheiro dos doadores também servirá para gerar oportunidades de emprego ou treinamento, acesso à educação nos sistemas nacionais para milhões de crianças e jovens em países como Jordânia, Líbano, Turquia, Iraque e Egito. 

O valor inclui pelo menos US$ 4,2 bilhões para a resposta humanitária dentro da Síria e US$ 5,8 bilhões para refugiados e comunidades anfitriãs na região. 

Importância 

Em comunicado, o chefe humanitário da ONU, Mark Lowcock, disse que “as condições de vida em queda, declínio econômico e Covid-19 resultam em mais fome, desnutrição e doenças.” 

Segundo ele, o número de pessoas que precisam de ajuda é o maior desde o início da guerra.  

Lowcock disse ainda que “manter os padrões de vida básicos é um ingrediente essencial para uma paz sustentável”. 

Já o ato comissário para Refugiados, Filippo Grandi, acredita que “os ganhos conquistados ao longo dos anos estão em risco.” 

Crianças em uma área inundada do acampamento Kafr Losin, no noroeste da Síria
Unicef/Khaled Akacha
Crianças em uma área inundada do acampamento Kafr Losin, no noroeste da Síria

Crise 

O administrador do Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud, Achim Steiner, contou que a crise dos últimos 12 meses levou os sírios a um ponto de colapso. 

E que “a pobreza e a desigualdade disparam, à medida que centenas de milhares de pessoas perdem seus empregos e meios de subsistência.”  

Os países que abrigam refugiados “estão lutando para fornecer serviços básicos como saúde e água.” 

Na Conferência de Doadores, do ano passado, a comunidade internacional prometeu US$ 5,5 bilhões em financiamento para apoiar as atividades humanitárias na Síria.  

 

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