ONU usará parâmetro para medir papel da natureza em prosperidade e bem-estar
BR

15 março 2021

Decisão da Comissão de Estatística, a maior autoridade das Nações Unidas em padrões internacionais de mensuração, anunciou que novo quadro econômico e ambiental deve reformular decisões e políticas para ação climática e desenvolvimento sustentável.

“Um passo histórico e transformador na forma como vimos e valorizamos a natureza.”

Foi assim que o chefe da ONU, António Guterres, descreveu a adoção de uma nova forma de mensurar índices sobre economia e meio ambiente em relatórios de estatística.

Foto OMM/Gonzalo Javier Bertolotto Quintana
Novo parâmetro medirá o papel da natureza nos índices de prosperidade econômica e bem-estar social dos povos

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Com a decisão dos Estados-membros, um novo parâmetro medirá o papel da natureza nos índices de prosperidade econômica e bem-estar social dos povos.

A decisão foi anunciada pela Comissão de Estatística da ONU, que é a maior autoridade em padrões internacionais no tema. Analistas dizem que o novo quadro deverá reformular decisões e políticas para o desenvolvimento sustentável e a ação climática.

O secretário-geral diz que com isso, o mundo não permitirá mais que a destruição ambiental e a degradação sejam consideradas “progresso econômico”.

O novo parâmetro, chamado de Sistema de Contabilidade Econômico-Ambiental – Contabilidade de Ecossistema, deverá ainda assegurar o reconhecimento do capital natural como florestas, pantanais e outros ecossistemas em relatórios econômicos.

Sibbr/José Sabino
Ecossistemas do mundo enfrentam ameaças sem precedentes

Ecossistemas

A notícia é um grande passo em direção ao futuro e diferente dos índices de medição tradicionais como o Produto Interno Bruto, PIB, “que dominou a mensuração do crescimento econômico por mais de sete décadas”, disse o Departamento Econômico e Social da ONU, Desa.

A decisão da Comissão de Estatística também admite que os ecossistemas fornecem serviços importantes que geram benefícios para as pessoas, e assim como ativos econômicos, os ecossistemas também precisam ser mantidos.

Um exemplo são as florestas que ajudam a levar água potável às comunidades, servindo como filtros naturais, com plantas, árvores e outros elementos que absorvem a poluição antes de que ela chegue às correntes, aos rios e lagos.

“No passado, sempre se media o progresso em termos de valor de mercado, pago por bens e serviços, que eram produzidos e consumidos”, disse o economista-chefe da ONU, Elliot Harris.

Unsplash/Habib Dadkhah
Decisão da Comissão de Estatística também admite que os ecossistemas fornecem serviços importantes que geram benefícios para as pessoas

Perda

Ele ressalta que o valor da natureza jamais era levado em conta. Harris afirma que a natureza era tratada como “um bem livre e ilimitado”, e por isso degradada sem que sequer se soubesse o valor da perda.

Ao contabilizar a natureza e a economia juntas, no mesmo quadro e parâmetro, o mundo poderá ver como as atividades econômicas afetam a natureza e como a presença da natureza afeta os indivíduos, sociedades e espécies. 

Harris acredita que é possível alcançar prosperidade econômica sem destruir a natureza pelo caminho.

Já a diretora-executiva do Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, elogiou a mudança como um “divisor de águas”. 

Biodiversidade

Inger Andersen afirma que a considerar o papel da natureza em indicadores socioeconômicos é uma ferramenta de avaliação e valorização do meio ambiente e que pode ajudar no alcance da sustentabilidade para as pessoas e o planeta.

Os novos parâmetros devem integrar as decisões de duas grandes reuniões da ONU este ano incluindo a 15ª. Conferência das Partes da Convenção de Biodiversidade, COP-15, e a Conferência Internacional sobre Mudança Climática COP-26, marcada para Glasgow, na Escócia.

Com os governos se preparando para concordar e implementar as mudanças que irão redesenhar a relação com a natureza, o novo quadro estatístico também fomentará um ímpeto para a mensuração correta do valor da biodiversidade, diz a secretária-executiva da Convenção sobre Diversidade Biológica, Elizabeth Maruma Mrema.
 

 

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