Conselho de Segurança analisa crise humanitária e ameaça de fome no Iêmen
BR

10 março 2021

Chefe do Programa Mundial de Alimentos, David Beasley, participará de reunião, na quinta-feira, para renovar seu apelo para paz no país árabe; ele concluiu visita de dois dias ao Iêmen, onde metade das crianças abaixo de 5 anos de idade devem enfrentar má nutrição aguda este ano.

O diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos, PMA, apelou para a paz no Iêmen e pediu um novo financiamento para socorrer as famílias que passam fome no país. 

Nesta quinta-feira, David Beasley falará ao Conselho de Segurança da ONU, em Nova Iorque, sobre o conflito no país árabe e a iminência “da pior crise de fome vista na história moderna.”

Cerca de 21 milhões de iemenitas precisam de algum tipo de assistência e proteção.
OIM/Olivia Headon
Cerca de 21 milhões de iemenitas precisam de algum tipo de assistência e proteção.

Enfermaria infantil

Segundo o chefe do PMA, que encerrou uma viagem oficial ao Iêmen, mais da metade dos iemenitas estão sofrendo com escassez aguda de alimentos. 

Ele contou que com mais financiamento será possível aliviar o problema. O Iêmen vive um conflito civil entre tropas do governo, apoiadas pela Arábia Saudita, e rebeldes houthis, apoiados pelo Irã.

Na capital Sanaa, ele visitou um hospital. Metade das crianças abaixo de cinco anos, um total de 2,3 milhões de pessoas, devem enfrentar má nutrição aguda ainda este ano. 

E 400 mil sofrerão de má nutrição aguda severa. Sem tratamento urgente, eles correm risco de morte.

Milhares de crianças iemenitas sofrem de desnutrição aguda grave.
@Unicef
Milhares de crianças iemenitas sofrem de desnutrição aguda grave.

Falta de combustível

Na enfermaria infantil, Beasley disse que encontrou silêncio absoluto porque as crianças estão bastante doentes e abatidas. Muitas famílias sequer têm como transportar as crianças ao hospital. Vários postos de saúde estão recusando a internação por falta de leitos.

Para o PMA, a assistência humanitária com alimentos é a primeira linha de defesa contra a fome no Iêmen, onde 16 milhões de pessoas sofrem de insegurança alimentar.

No momento, a Agência da ONU prioriza assistência a 11 distritos que já estão passando fome para evitar o pior.

Mas outros milhões de iemenitas também precisam de apoio contra a iminência de fome, a falta de combustível e a disparada no preço dos alimentos.

David Beasley durante uma outra visita ao Iêmen em 2017
PMA/Marco Frattini
David Beasley durante uma outra visita ao Iêmen em 2017

Mulheres e meninas

Segundo Beasley, 14 navios cargueiros com combustível estão na costa do Mar Vermelho, sem poder entrar no país. Desde 3 de janeiro, nenhuma embarcação foi autorizada a atracar no porto de Hodeida. Sem combustível, os hospitais e o comércio não podem funcionar.

Para o chefe do PMA, a situação no Iêmen é infernal e terrível. David Beasley disse que o país está se tornando o pior lugar do mundo numa crise totalmente produzidas por seres humanos.

Ao passar o Dia Internacional da Mulher no Iêmen, ele afirmou que é preciso dar autonomia a meninas e mulheres como forma de se alcançar a fome zero. 

A agência da ONU está pedindo US$ 1,9 bilhão para evitar uma crise arrasadora de fome no Iêmen este ano.

David Beasley disse que a assistência alimentar salva vidas, mas não resolver a crise do país árabe, somente uma solução de paz duradoura, que revitalize a economia e estabilize a moeda local, poderá alcançar essa meta.
 
 

 

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