OMS em África marca um ano desde notificação do primeiro caso de coronavírus   
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14 fevereiro 2021

Região se aproxima de 100 mil mortes por Covid-19; chefe regional quer reorientação no combate ao vírus; Matshidiso Moeti reforça apelo ao uso de máscaras, lavagem das mãos e distanciamento social para aliviar setor da saúde.* 

Este 14 de fevereiro marca o primeiro ano desde que o primeiro caso da Covid-19 foi confirmado no continente africano. Passados 12 meses, a agência defende que a região se aproxima das 100 mil mortes e que deve ser reforçada a resposta do sistema de saúde. 

A diretora do Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde, OMS, anunciou que as mortes por Covid-19 em Africa subiram 40% no último mês. Esse aumento acontece numa altura em que continente enfrenta variantes mais contagiosas e se prepara para lançar a maior campanha de vacinação de sempre. 

Pico 

O aumento das fatalidades surge enquanto a segunda vaga de casos, que começou em outubro de 2020, parece ter atingido o pico na primeira semana de janeiro passado. Uma marca da segunda vaga é que se “propaga mais rápido do que a primeira e é muito mais letal.” 

Mulher na Nigéria, onde foi detetada uma nova variante da Covid-19
PMA/Damilola Onafuwa
Mulher na Nigéria, onde foi detetada uma nova variante da Covid-19

Mais de 22,3 mil mortes foram relatadas nos últimos 28 dias. O número era de cerca de 16 mil no mês precedente.  
A expetativa é que o continente alcance 100 mil mortos nos próximos dias. O número subiu em 32 países, houve relato de taxas fixas ou decrescentes em 21, e a fatalidade atingiu 3,7% contra 2,4%, estando agora acima da média global.  
Falando em encontro virtual, a diretora regional da OMS para África, Matshidiso Moeti, considerou as crescentes mortes por Covid-19 trágicas, mas “são também sinais de alerta perturbadores que trabalhadores e sistemas de saúde estão perigosamente sobrecarregados. Este marco sombrio deve reorientar todos para erradicar o vírus”. 

Prevenção 

A representante destacou que “a pandemia está muito longe de acabar, e as vacinas são apenas uma ferramenta crucial na nossa luta contra o vírus.”

Uma das prioridades das autoridades sanitárias é “impulsionar o investimento e apoio aos trabalhadores e sistemas de saúde, usando máscaras, limpeza regular das mãos e distanciamento social seguro”. 

Na segunda vaga, conforme os casos ultrapassam o pico da primeira, as instalações sanitárias vão ficando sobrecarregadas.  

A OMS recolheu relatos de 21 países dando conta que 66% assinalaram capacidade inadequada de cuidados intensivos. Em 24% foi relatada combustão entre trabalhadores de saúde, e 15 países apontaram insuficiência na produção de oxigênio. 

O marco de um ano acontece num momento em que o continente enfrenta a propagação de novas variantes do vírus. A que predomina na África do Sul foi detectada em oito países africanos, enquanto a variante do Reino Unido circula em seis. 

Várias vacinas já foram aprovadas e estão sendo distribuidas
Novavax
Várias vacinas já foram aprovadas e estão sendo distribuidas

Imunização 

Autoridades de Pretória anunciam atrasos no lançamento da vacina de Oxford/AstraZeneca por indicações de um estudo realçando ser “menos eficiente em prevenir infeções leves e moderadas da variante B1.351”, dominante no país. 

Para Matshidiso Moeti, “esta é obviamente uma notícia decepcionante, mas a situação é muito dinâmica. Enquanto uma vacina que protege contra todas as formas da Covid-19 é a maior esperança, prevenir casos severos que submergem hospitais é crucial”. 

Variantes  

Esta semana, um painel de cientistas da OMS recomendou os países a usarem a vacina da AstraZeneca para grupos prioritários, mesmo na presença de variantes.  

As conclusões preliminares do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização, Sage, realçam a necessidade urgente de uma abordagem coordenada para vigilância e avaliação de variantes e o seu potencial impacto na eficácia da vacina.

A OMS promete continuar a monitorar a situação e fornecer atualizações na medida que novos dados vão se tornando disponíveis. 
 *Amatijane Candé, de Bissau para a ONU News. 

 

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