Acnur quer mais segurança no Mediterrâneo após aumento de crises na África Subsaariana
BR

30 janeiro 2021

Agência da ONU para Refugiados afirma que mais e mais africanos estão se arriscando em travessias perigosas para escapar da violência; para Acnur, a comunidade internacional tem que fazer mais para salvar essas vidas.

O Plano de Ação Estratégica 2021 da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, apelou à comunidade internacional por mais ações para fortalecer a segurança de africanos que tentam escapar das crescentes crises na África Subsaariana.

O Acnur diz que muitos estão se arriscando em travessias perigosas pelo Mar Mediterrâneo para fugir da violência e de perseguições, visando chegar à Europa.

Acnur/Hereward Holland
Cerca de 190 pessoas perderam a vida enquanto tentavam atravessar o Mediterrâneo Central

Mortes

A agência está preocupada com a escalada de conflitos e deslocamentos forçados na região do Sahel, do leste e do Chifre da África. Uma situação que tem aumentado as chegadas por mar para as Ilhas Canárias. Pelo menos 1064 mortes foram registradas nas partes central e ocidental do Mediterrâneo no ano passado.

O Acnur está tentando obter US$ 100 milhões para aumentar a proteção dos refugiados africanos a caminho do Mediterrâneo. Para a agência da ONU, é prioridade oferecer alternativas seguras e viáveis às jornadas perigosas e marcadas por abusos e mortes.

Somente na região do Sahel, a violência já forçou quase 2,9 milhões de pessoas a fugir de suas casas. Sem chances de paz ou estabilidade na região, deve haver ainda mais deslocamentos forçados num futuro próximo.

Mesmo correndo riscos de tráficos de seres humanos, abusos, sequestros, trabalho forçado e violência de gênero, muitos migrantes preferem enfrentar o perigo a permanecer em áreas de guerra. E a projeção do Acnur é de que esses riscos seguirão existindo.

OIM/Monica Chiriac
Amarcia é uma das 1,5 milhões de pessoas que foram deslocadas no Níger devido ao conflito na região central do Sahel

Brutalidades

O enviado especial do Acnur para o Mediterrâneo Central, Vincent Cochetel, contou sobre relatos terríveis de brutalidade e abusos enfrentados pelos migrantes e refugiados nessas travessias. 

Muitos acabam nas mãos de traficantes de seres humanos e são vítimas de estupros, extorsão, e algumas vezes são assassinados ou deixados à beira da morte.

Para mitigar esses riscos, o Acnur está apelando aos países que fortaleçam vias legais e seguras para os refugiados incluindo a reunificação familiar e aumentando os chamados Mecanismos de Transição de Emergência em Ruanda e no Níger para as pessoas que foram evacuadas da Líbia. 

Além disso, o Acnur quer que as pessoas vítimas de abusos tenham acesso à justiça e que a população seja informada sobre os riscos e tenham serviços locais de auxílio.

A Agência espera que este ano possa identificar e assistir mais refugiados ao longo dessas travessias em países anfitriões, e fortalecer o acesso e entrega de meios de proteção aos sobreviventes desses abusos.
 

 

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