Agência da ONU confirma que 2020 foi um dos anos mais quentes da história 
BR

14 janeiro 2021

Organização Meteorológica Mundial, OMM, revela que recorde ocorreu dentro da década mais quente já registrada entre 2011 e 2020; secretário-geral António Guterres afirma que mundo “precisa fazer as pazes com a natureza” neste século. 

O ano de 2020 foi um dos três mais quentes já registrados e quase bateu o recorde de 2016, os 12 meses mais calorosos até agora. A informação é da Organização Meteorológica Mundial, OMM. 

Em 2020, o fenômeno La Niña, que tende a esfriar um pouco as temperaturas do planeta, só fez efeito no fim do ano.  

Guterres disse que o mundo já testemunha “extremos climáticos sem precedentes, Reprodução

Conclusões 

Desde o início dos registros de temperatura, os seis anos mais quentes ocorrem todos desde 2015. Pela ordem, 2016, 2019 e 2020 ficaram no topo da lista com pequenas diferenças entre eles.  

A OMM diz que entre 2011 e 2020 aconteceu a década mais quente já registrada,  numa tendência persistente de mudança climática de longo prazo. 

No ano passado, a temperatura média global foi de 14,9° C, ou seja cerca de 1,2° C acima do nível pré-industrial. 

A OMM analisou cinco conjuntos de dados de instituições internacionais, como a Agência Especial Americana, Nasa, e o Escritório Hadley Centre, do Reino Unido. 

Algumas instituições dizem que 2020 foi o mais quente ao lado de 2016. Outras entidades afirmam que o ano passado foi o segundo mais quente ou o terceiro. Para a OMM, no entanto, as diferenças são tão pequenas que todos os dados perfazem a margem de erro.  

Lembrete 

Imagem de satélite mostrando fogos na Sibéria no ano passado, by NASA

Em comunicado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que estas marcas são “mais um lembrete gritante do ritmo implacável das mudanças climáticas, que destroem vidas e meios de subsistência no planeta.” 

Para ele, com 1,2° C de aquecimento, o mundo já testemunha “extremos climáticos sem precedentes em todos os continentes e regiões.” 

Com o mundo caminhando para um aumento de 3°C a 5° C, Guterres afirmou que “fazer as pazes com a natureza é a tarefa definidora do século 21” e “deve ser a prioridade máxima para todos, em todos os lugares." 

Valores 

Já o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, comparou os valores de 2016, quando aconteceu um dos mais fortes eventos de aquecimento do fenômeno El Niño, com os de 2020, quando as temperaturas foram reduzidas devido ao La Niña. 

Taalas disse que é notável que as temperaturas do ano passado tenham sido praticamente iguais às de 2016. Segundo ele, “esta é uma indicação clara de que a mudança climática causada pelo ser humano é tão poderosa quanto a força da natureza.” 

Desde os anos 1980, cada década é mais quente do que a anterior e os gases que causam aquecimento global permanecem em níveis recordes.  

Temporada de furacões no Atlântico bateu recordes no ano passado, Foto: ESA/Nasa–A. Gerst

Incêndios 

A OMM destacou os incêndios florestais na Sibéria e no Ártico e a temporada recorde de furacões no Atlântico, em 2020. 

Como em anos anteriores, esses eventos tiveram impactos socioeconômicos significativos. Nos Estados Unidos, por exemplo, os desastres naturais causaram prejuízos de US$ 22 bilhões.  

Os números da temperatura serão incorporados ao relatório final da OMM sobre o Estado do Clima, que será publicado em março.  

A previsão de temperatura global anual para 2021 sugere que o próximo ano entrará novamente na série dos mais quentes da Terra, apesar de ser influenciada pelo resfriamento do La Niña, cujos efeitos são tipicamente mais fortes no segundo ano do evento.  

 

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