Do Brasil a Timor-Leste, o que faz o PMA, vencedor do Nobel da Paz 
BR

10 dezembro 2020

Programa Mundial de Alimentos recebe prêmio esta quinta-feira em cerimônia virtual; ONU News falou com funcionários lusófonos da agência sobre trabalho e missão que mereceu reconhecimento. 

Esta quinta-feira, em cerimônia virtual, o Programa Mundial de Alimentos, PMA, recebe o Prêmio Nobel da Paz de 2020.  

O Comitê que atribui o reconhecimento disse que a distinção se deve “aos seus esforços para combater a fome, melhorar as condições para a paz em áreas afetadas por conflito e ser uma força na prevenção da fome como arma de guerra e conflito.” 

António Guterres e David Beasley em assentamento de refugiados no Uganda, by Foto ONU/Mark Garten

Celebrações

Também esta quinta-feira, o PMA organiza um evento em redes sociais com o tema “O Prêmio das Pessoas”, que celebra a sua história, os seus parceiros e as pessoas que estão por trás deste prêmio. 

O diretor executivo do PMA, David Beasley, será um dos participantes. Ele disse que continua “extremamente preocupado com os milhões de pessoas que enfrentarão fome no próximo ano, mas, ao mesmo tempo, é preciso ter esperança.” 

Em 2020, para responder à crise humanitária causada pela pandemia de Covid-19, a agência preparou sua maior resposta de sempre. No total, alcançou 138 milhões de pessoas em cerca de 80 países, mais 41 milhões do que no ano anterior.  

Para marcar a entrega do Nobel da Paz, a ONU News falou com funcionários do PMA no terreno no Brasil, Timor-Leste e Moçambique, sobre o impacto da ação diária nos esforços da agência melhorando a vida das pessoas mais vulneráveis. 

Júlio Filomeno Brites – Timor-Leste

Júlio Filomeno Brites, de 60 anos, é motorista do PMA, em Timor-Leste, há 21 anos. 

Ele começou trabalhando na agência em 1999, o mesmo ano em que o país realizou um referendo sobre a sua independência apoiado pela ONU.  

“Nessa altura, dedicou-se a fornecer ajuda alimentar às pessoas deslocadas pelos conflitos em todo o território de Timor-Leste. Concentramo-nos, agora, na assistência técnica e no aconselhamento político ao governo de Timor-Leste, que vai desde a implementação direta do programa.”

Para ele, a distinção que a agência recebe esta quinta-feira é um motivo de orgulho.

“Como funcionário que há muito tempo trabalha para o PMA, é para mim motivo de grande orgulho que tenha sido reconhecido com o Prêmio Nobel da Paz de 2020. Conduzir com cuidado e fazer chegar os colegas do PMA a aldeias remotas, a salvo, é o nosso principal objetivo.”

Daniel Balaban – Brasil

Daniel Balaban é diretor do Centro de Excelência contra a Fome do PMA, com sede no Brasil. O centro permite um diálogo global sobre formação de políticas públicas, aprendizagem, desenvolvimento de capacidades e assistência técnica Sul-Sul.

Balaban contou à ONU News como o Centro, de forma remota e presencial, ajuda a fortalecer as capacidades governamentais de dezenas de países.

Mulheres carregam ajuda humanitária do PMA em Thaker, no Sudão do Sul, PMA/Gabriela Vivacqua

“É um trabalho que se consolida através do desenvolvimento de políticas públicas, ajudando os países a desenvolver políticas públicas de combate à fome e pobreza. Ou seja, é um trabalho que complementa o trabalho humanitário do PMA ao redor do mundo.”

Balaban diz que em todos esses anos, em que o centro ajudou mais de 50 países, acumulou algumas lembranças interessantes.

“Uma delas é Moçambique, um país maravilhoso, onde ajudámos a criar o Programa Nacional de Alimentação Escolar, o Pronae, um programa que alimenta as crianças nas escolas. Outra situação muito interessante durante esses anos de trabalho foi no Níger, em Niamei. O Níger tem um governo interessantíssimo, interessado em criar programas de alimentação escolar, e ajudamos a criar um programa abrangente e nacional. Temos momentos muito lindos desse trabalho, o mais importante é que deu certo.”

Para o brasileiro, enquanto existirem nações procurando ajuda para criar suas políticas públicas, o Centro continuará exercendo o seu papel ao desenvolvimento desses países.

Rafael Campos – Moçambique

Rafael Campos, também do Brasil, é especialista de gestão de Informação Operacional e ponto focal de comunicação do PMA na Beira, em Moçambique. 

Ele contou para a ONU News como seu trabalho é importante para fortalecer a luta contra a fome no mundo.  

Distribuição de comida na vila de Nacate, em Cabo Delgado, ONU/Eskinder Debebe

“Trabalho com outros colegas para dar visibilidade não só para os projetos do PMA, porque são financiados a 100% por doações voluntárias, tanto de governos quanto do setor privado e indivíduos, mas também para sensibilizar as pessoas em relação à importância da luta contra a insegurança alimentar e contra a fome em Moçambique e no mundo.”

Rafael conta que Moçambique é extremamente vulnerável a choques climáticos. No ano passado, o país foi atingido por dois ciclones de grande magnitude, Idai e Kenneth, que destruíram a região central e a região norte. Também é um país que sofre com seca na zona sul e uma situação de conflito nas regiões central norte do país.

“Todos esses fatores fazem com que Moçambique seja um país com altos índices de insegurança alimentar e má nutrição. É por isso que o PMA tem diversos projetos não só de assistência alimentar e distribuição de alimentos, incluindo alimentação escolar, mas também projetos de resiliência, projetos sustentáveis que buscam preparar, adaptar e deixar as comunidades e o país mais forte a futuros choques que possam existir.” 

Heróis

Quando foi anunciado que o PMA iria receber o Prêmio Nobel da Paz, o chefe da agência disse que a distinção era “um reconhecimento extraordinário da dedicação da família do PMA”, trabalhadores como Rafael, Julio e Daniel. 

Já o secretário-geral, António Guterres, contou como “as mulheres e os homens enfrentam perigos e distâncias para entregar sustento vital para aqueles afetados por conflitos e desastres, crianças e famílias que não sabem de onde virá sua próxima refeição." 

 

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