Previsões económicas melhoram para Angola, Cabo Verde e Moçambique

16 janeiro 2019

Banco Mundial reviu de forma positiva previsões de crescimento para os três países lusófonos; previsões para Guiné-Bissau, Timor-Leste e Brasil revistas em baixa; estimativa de crescimento para economia mundial também caiu.

O Banco Mundial reviu de forma positiva as suas previsões de crescimento económico para Angola, Cabo Verde e Moçambique em 2019 e 2020. Para Guiné-Bissau, Timor-Leste e Brasil as previsões foram revistas em baixa.

A análise faz parte do mais recente relatório Perspectivas Económicas Globais, divulgado em Washington.

Angola

A instituição confirmou que 2018 foi o terceiro ano consecutivo de contração da economia angolana, com queda de 1,8%, um desempenho 3,5 pontos percentuais menor do que o previsto anteriormente.

Moçambique deve crescer mais do que o previsto. 

No entanto, o Banco Mundial aumentou as previsões para o crescimento do Produto Interno bruto, PIB, angolano em 2019. A economia deve crescer 2,9% no próximo ano, mais 0,7 pontos do que era esperado, e 2,6% em 2020.

A queda em 2018 deveu-se à redução na produção de petróleo. A recuperação deste ano deve ser motivada por uma “recuperação do setor petrolífero, com novos poços entrando em produção e uma retoma da atividade, com reformas impulsionando o ambiente de negócios.”

Moçambique

Para Moçambique, o Banco Mundial manteve a estimativa de crescimento de 2018, 3,3%. A instituição aumentou a sua previsão de 2019, para 3,5%, e de 2020, para 4,1%, uma correção de 0,5%.

A instituição deixa vários avisos para Moçambique, destacando o aumento do rácio entre dívida e PIB, que aumentou cerca de 50 pontos percentuais desde 2013, atingindo 102% no ano passado. No mesmo período, o Estado passou a gastar 16,5% das suas receitas com pagamentos de juros, quando gastava apenas 2,6%.

Em nota, o Banco diz que "a deterioração foi acompanhada por déficits crescentes, com a política fiscal permanecendo sem restrições em um cenário de preços de matéria-prima mais baixos e crescimento reduzido, e foi exacerbada pela inclusão em 2016 de dívidas comerciais anteriormente não divulgadas."

No final de 2018, Moçambique estava classificado no Índice de Sustentabilidade da Dívida do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, FMI, ao lado de países como o Zimbabué, Sudão do Sul e Gâmbia.

Cabo Verde

De acordo com a estimativa do Banco Mundial, Cabo Verde deve ter crescido 4,5% no ano passado. O aumento corresponde a 0,3 pontos percentuais em relação à projeção anterior.

A tendência de aceleração do crescimento deve continuar. A instituição prevê que o país cresça 4,7% em 2019, mais 0,7% do que na última previsão, e 4,9% no ano seguinte, mais 0,9 do que era previsto.

Trabalhadores rurais no estado da Bahia. , by Banco Mundial/Scott Wallace

Guiné Bissau, Timor-Leste e Brasil

No caso brasileiro, o Banco Mundial reduziu a expectativa de crescimento de 2018 de 2,4% para 1,2%. O Banco argumentou que incertezas políticas e a greve dos caminheiros, juntamente com o aumento das incertezas globais, contribuíram para isso.

Para 2019, reduziu a previsão de crescimento de 2,5% para 2,2%.

Quanto à Guiné-Bissau, o Banco Mundial está agora muito mais pessimista. A estimativa é que o país lusófono tenha crescido 3,9% no ano passado, menos 1,2% do que era previsto.

Em relação ao futuro, a instituição reduziu as suas previsões em 1% para 2019, descendo para 4,2%, e o mesmo valor para 2020, reduzindo para 4,4%.

Timor-Leste surge numa posição semelhante à da Guiné-Bissau, com quebras nas previsões de crescimento económico comparativamente às efetuadas em junho de 2018.

Para 2018, o Banco Mundial prevê que o país tenha registado um crescimento económico de 0,8%, uma contração de 1,4 pontos percentuais relativamente à previsão anterior, e que este ano cresça à taxa de 3,3%, menos 0,9%.

Mundo

Segundo o mesmo relatório, o crescimento económico global deverá cair de 3% em 2018 para 2,9% em 2019.

A revisão em baixa, ainda que ligeira, deve-se ao abrandamento do comércio internacional e da atividade manufatureira. A instituição justifica ainda esta decisão com as elevadas tensões comerciais e com as pressões substanciais que algumas economias emergentes vivem nas praças financeiras.

Olhando apenas para as economias avançadas, o crescimento deve cair para 2% este ano.

A desaceleração da procura externa, o aumento dos custos dos empréstimos e as persistentes incertezas políticas contribuem para as novas previsões económicas dos mercados emergentes e das economias em desenvolvimento.

 

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