12 novembro 2020

Em três anos, óbitos subiram 50% no maior aumento desde 1996; Brasil entre oito países que retomaram imunização após adiamento causado pela pandemia de Covid-19

O sarampo matou mais de 207,5 mil pessoas somente no ano passado. A informação é da Organização Mundial da Saúde, OMS, e do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, CDC, que realizaram uma pesquisa conjunta. 

A Iniciativa do Sarampo e Rubéola, implementada pela agência da ONU e parceiros, revela que o total de mortes aumentou pela metade ao atingir 869.770 entre 2016 e 2019. 

Progresso  

A pesquisa divulgada nesta quinta-feira, em Genebra, sugere que a alta dos casos ocorreu em todas as regiões do globo. 

Unmiss/Tim McKulka
Campanha de vacinação em massa contra o sarampo no Sudão do Sul.No total, 60 campanhas foram adiadas em 50 países

 

A reversão na luta contra o sarampo ocorre após “um progresso global constante” entre 2010 e 2016.  

O estudo compara ainda o mínimo histórico de notificações do ano passado com o de 2016. De acordo com especialistas, a falta de vacinação de crianças com as duas doses foi o principal fator do aumento de novos casos e de mortes. 

O sarampo se espalha quando pessoas não imunizadas contaminam outras também sem vacina ou com a imunização incompleta.  

Brasil 

Para controlar o sarampo e prevenir surtos e mortes, as taxas de cobertura de vacinação com as duas doses devem chegar a 95% e ser mantidas em níveis nacional e subnacional. 

OMS
Campanha de imunização contra o sarampo está atrasada em vários países.

 

Em nível global, a cobertura universal da primeira dose, a MCV1, estagnou há mais de uma década em níveis entre 84% e 85%. Já a cobertura do MCV2 tem aumentado de forma constante, mas ainda está em torno de 71%. 

O documento menciona o Brasil como um dos oito exemplos de nações que durante a resposta global à pandemia de Covid-19 retomou as campanhas planejadas depois de terem sido adiadas em 2020. 

Esforços 

Os outros são República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Etiópia, Nepal, Nigéria, Filipinas e Somália. O relatório alerta que a atual crise do sarampo não deve piorar na pandemia. 

Este ano, embora com um total de casos notificados menor que em 2019, ocorreram interrupções na vacinação e os esforços para mitigar e minimizar os surtos foram suspensos. 

Somente este novembro, mais de 94 milhões de pessoas correm risco de perder vacinas devido à suspensão das campanhas contra o sarampo em 26 países. Muitos deles enfrentam surtos contínuos. 

Benefício 

O relatório recomenda abordar as diversas causas do fracasso no controle do sarampo. Os países afetados e em risco devem garantir que as vacinas estejam disponíveis e administradas com segurança. Os cuidadores devem entender o benefício da vacina para salvar vidas. 

OMS Somalia/Ismail Taxta/Ildoog
Criança espera para ser vacinada durante a campanha nacional de vacinação contra poliomielite e sarampo em Mogadíscio, na Somália, em setembro de 2020.

Este mês, a OMS e o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, emitiram um apelo de emergência para prevenir e responder a surtos de sarampo e pólio. 

Além das duas agências da ONU, a Iniciativa do Sarampo e Rubéola inclui a Cruz Vermelha dos Estados Unidos, a Fundação das Nações Unidas, o Centro de Controle de Doenças dos EUA. 

Entre os parceiros globais que apoiam com recursos para o cumprimento da imunização na crise do sarampo estão a Aliança Internacional de Vacinas Gavi e a Fundação Bill e Melinda Gates. 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

OMS e Unicef alertam para riscos de queda nas taxas de imunização de crianças

Em alguns países, níveis de cobertura de vacinas foram reduzidos à metade com a suspensão dos serviços por causa da Covid-19; campanhas contra a poliomielite e o sarampo são algumas das mais afetadas; Unicef e OMS fazem chamado urgente para salvar milhões de vidas.

Unicef prepara estoque de 1 bilhão de seringas para futura vacina contra Covid-19 

Chefe da agência diz que vacinar o mundo contra o novo coronavírus será um dos maiores empreendimentos da história da humanidade; vários parceiros trabalham para garantir segurança, rapidez e eficácia da cadeia de distribuição.