Um bebê nasce morto a cada 16 segundos no mundo 
BR

8 outubro 2020

Novas estimativas revelam que mais de 40% dos casos ocorrem no trabalho de parto; situação pode ser evitada com profissionais de saúde treinados; interrupções dos serviços de saúde devido à Covid-19 podem piorar situação, acrescentando quase 200 mil natimortos num ano.  

Quase 2 milhões de bebês nascem mortos todos os anos. O número equivale a um natimorto a cada 16 segundos, revelam as primeiras estimativas sobre o tema divulgadas por agências da ONU e parceiros. 

A pesquisa envolveu o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, a Organização Mundial da Saúde, OMS, o Banco Mundial e a Divisão de População do Departamento Econômico e Assuntos Sociais da ONU. 

Kadiatu Sama, que não teve cuidados pré-natais e cujo filho nasceu morto, é consolada por uma enfermeira na maternidade do hospital público em Serra Leoa, Unicef/UNI32026/PirozziUNICEF/UNI32026/Pirozzi

Regiões 

Um natimorto é um bebê nascido sem sinais de vida às 28 semanas de gravidez ou mais. A grande maioria dos casos, 84%, ocorre em países de renda baixa e média-baixa. Em 2019, 75% dos casos de natimortalidade ocorreram na África Subsaariana ou no sul da Ásia.  

Em comunicado, a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, disse que “perder um filho ao nascer ou durante a gravidez é uma tragédia arrasadora para uma família, que muitas vezes é vivida em silêncio em todo o mundo.” 

Segundo Fore, além da perda de vidas, “os custos psicológicos e financeiros para as mulheres, famílias e sociedades são graves e duradouros.” 

Ela disse que, “para muitas dessas mães, simplesmente isso não precisa acontecer.” A maioria dos natimortos poderia ter sido evitada com monitoramento de alta qualidade, cuidados pré-natais adequados e uma parteira qualificada. 

Pandemia 

A pandemia de Covid-19 pode piorar a situação. O relatório estima que uma redução de 50% nos serviços de saúde poderia causar quase 200 mil natimortos adicionais ao longo de um período de 12 meses em 117 países de baixa e média renda. O aumento seria de 11,1%. 

A maioria dos casos deve-se à má qualidade dos cuidados durante a gravidez e o parto. A falta de investimentos em serviços maternos e força de trabalho são os principais desafios. 

Mais de 40% dos natimortos ocorrem durante o trabalho de parto, uma situação que pode ser evitada profissionais de saúde treinados e cuidados obstétricos de emergência. 

Mesmo antes de a pandemia, poucas mulheres em países de baixa e média renda recebiam atendimento oportuno e de alta qualidade

Por exemplo, cerca de metade dos casos na África Subsaariana e na Ásia Central e Meridional ocorrem durante o trabalho de parto. Já na Europa, América do Norte, Austrália e Nova Zelândia são apenas 6%. 

Mesmo antes de a pandemia, poucas mulheres em países de baixa e média renda recebiam atendimento oportuno e de alta qualidade. 

Para oito importantes intervenções, como cesariana, malária, hipertensão e sífilis, metade dos 117 países analisados ​​têm menos de 50%. A cobertura para parto vaginal assistido chega a menos da metade das mulheres que precisam. 

Progresso 

Como resultado disso, o progresso na redução da taxa de natimortos tem sido lento. 

De 2000 a 2019, a taxa anual de redução foi de apenas 2,3%, em comparação com uma redução de 2,9& na mortalidade neonatal e 4,3% na mortalidade entre crianças de um a 59 meses.  

Em comunicado, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que “a tragédia da natimortalidade mostra quão importante é reforçar e manter os serviços de saúde essenciais, e quão crítico é aumentar o investimento em enfermeiras e parteiras.” 

Desenvolvidos 

Traduzir do: Inglês 126/5000 Uma mulher desempacota roupas de bebê e cobertores em sua casa em Lusaka, depois ter um beb natimorto, Unicef/UNI59991/Nesbitt

O relatório mostra que o tema não é apenas um desafio para os países pobres. 

No ano passado, 39 países de alta renda tiveram um número maior de natimortos do que mortes neonatais. Em 15 países, o número de natimortos foi maior do que o total de mortes infantis. O nível de educação da mãe é um dos maiores motores da desigualdade nesses países. 

Em ambientes de baixa e alta rendas, as taxas são mais altas nas áreas rurais do que nas urbanas. O status socioeconômico também está relacionado a uma maior incidência de natimortos. Por exemplo, no Nepal, mulheres de castas minoritárias tiveram taxas de natimortos entre 40 a 60% mais altas do que mulheres de castas de classe alta. 

As minorias étnicas em países de alta renda também podem não ter acesso a cuidados de saúde de qualidade suficientes. 

O relatório cita que as populações Inuit no Canadá, por exemplo, têm taxas de quase três vezes maiores do que no resto do Canadá. Nos Estados Unidos, as mulheres afro-americanas têm quase o dobro do risco em comparação com as brancas. 

 

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