São Tomé e Príncipe anuncia graduação a país de renda média para 2024 
BR

24 setembro 2020

Presidente Evaristo do Espírito Santo Carvalho informou que país prepara transição consciente dos desafios a enfrentar; ele pediu ação internacional para apoiar Moçambique na luta contra extremistas islâmicos na província de Cabo Delgado e discorreu sobre conflitos em outras nações africanas. 

São Tomé e Príncipe foi o segundo país de língua portuguesa a assumir a tribuna do debate geral de líderes internacionais, nesta quinta-feira, nas Nações Unidas. 

Em um discurso pré-gravado para a Assembleia Geral, o presidente são-tomense elogiou o tema da 75ª. Sessão da Casa dizendo que o multilateralismo é o melhor caminho para mitigar os efeitos da crise econômico-financeira que a Covid-19 impôs ao mundo. 

Para o presidente Evaristo Carvalho, os efeitos da Covid-19 sobre economias mais frágeis serão difíceis, Unctad/Jan Hoffmann

Solidariedade internacional 

Evaristo do Espírito Santo Carvalho afirmou que a solidariedade internacional pode ajudar o mundo a vencer a pandemia e a combater a pobreza, para ele o maior flagelo da humanidade.  

O presidente citou outros fatores como conflitos armados, exploração destravada de recursos naturais, desertificação, deslocamento de populações e outros desafios. 

Para o líder do país lusófono, a cooperação das nações com a ONU ajuda a promover inclusão e o desenvolvimento sustentável. Carvalho acredita, no entanto, que o mundo ainda tem muito trabalho a fazer nessa área. 

Compromisso para Moçambique 

Ao mencionar os conflitos na África, Evaristo Carvalho disse que está “preocupado e apreensivo” com a invasão de militantes islâmicos à província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.    

Evaristo Carvalho pediu à comunidade internacional um compromisso maior para lutar contra as ações terroristas em Moçambique

Ele pediu à comunidade internacional um compromisso maior para lutar contra as ações terroristas nessa região de Moçambique. 

O chefe de Estado são-tomense citou ainda a violência no Sudão do Sul, na República Centro-Africana, Líbia, o leste da República Democrática do Congo, a região do Sahel, e os ataques dos grupos terroristas islâmicos Boko Haram no centro e no oeste da África e Al-Shabab no leste do continente. 

Evaristo Carvalho citou ainda o Saara Ocidental, que considera uma preocupação crescente e que demanda maior envolvimento para uma solução. O presidente são-tomense pediu a retomada das negociações para a região. 

Realidade 

Ao citar o conflito israelense-palestino e a guerra na Síria e no Iêmen, o líder africano disse que é preciso criar o diálogo e promover a paz duradoura. Ele também defendeu o fim do embargo dos Estados Unidos a Cuba. 

Ao falar sobre os efeitos arrasadores da pandemia sobre a economia de São Tomé e Príncipe, que depende fortemente do setor de turismo, o presidente do país disse esperar que a comunidade internacional se una para derrotar a doença. 

O país africano de língua portuguesa afirmou que a ONU, aos chegar aos 75 anos, precisa refletir sobre a realidade atual para continuar seu trabalho de manter a paz e a segurança internacionais e de levar desenvolvimento sustentável ao mundo. Ele citou ainda desafios à humanidade como combater a pobreza, a mudança climática e à pirataria do mar. 

Chefe de Estado realçou impato que mudança climática pode ter na região, Pnud São Tomé and Príncipe

Covid-19 

O presidente Evaristo Carvalho chamou a atenção para os efeitos da mudança climática sobre um arquipélago em desenvolvimento como São Tomé e Príncipe.  

Para ele, os efeitos arrasadores da Covid-19 sobre economias mais frágeis serão difíceis de mitigar. 

Ao comentar a criação da ONU, ele reiterou a urgência de acelerar a reformas da ONU para aumentar a representação de outras regiões do mundo na busca pela paz e o desenvolvimento. 

Graduação para 2024 

O chefe de Estado são-tomense informou que seu país deve alcançar o status de nação de renda média em dezembro de 2024.   

Mas o presidente também afirmou estar consciente dos desafios que essa graduação representará para  futuro do país, que automaticamente deixará de receber assistência internacional reservada aos países menos desenvolvidos.  

Ele terminou o discurso dizendo esperar que o mundo alcance dias melhores após essa crise global. 

 

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