OMS: parceria entre países pode gerar 2 bilhões de doses de vacina contra Covid-19 
BR

24 agosto 2020

Em entrevista a jornalistas, diretor-geral da agência voltou a pedir participação de todos em “plataforma global” para garantir acesso universal à imunização; 172 nações já demonstraram interesse em aderir à iniciativa Covax para acelerar a vacina contra a Covid-19; curso online da OMS para jornalistas sobre a pandemia está em português. 

 A Organização Mundial da Saúde, OMS, afirmou que a competição global por vacinas contra o novo coronavírus pode levar ao encarecimento da imunização.    

Segundo a agência, este problema pode ser resolvido com a cooperação de todos os países numa plataforma para acesso universal.   

Fabricantes   

Alunos em Gana usando máscaras faciais a caminho da escola.
Alunos em Gana usando máscaras faciais a caminho da escola., by Unicef/Geoffrey Buta

Falando a jornalistas em Genebra, o diretor-geral da agência, Tedros Ghebreyesus, afirmou que a cooperação “é do interesse de todos os países, mesmo daqueles que investiram em fabricantes de forma independente.”    

Na semana passada, o chefe da OMS enviou uma carta a todos os Estados-membros pedindo que se juntassem ao departamento do Acelerador Act dedicado a vacinas, chamado Covax.    

Nesse momento, 172 países estão em conversações para participar na iniciativa, que tem o maior e mais diversificado portfólio de vacinas do mundo, incluindo nove candidatas e outras nove em processo de avaliação.  

O Covax também está em discussões com mais quatro produtores.    

Organização    

Até o momento, 80 nações com capacidade de autofinanciamento mostraram interesse em aderir. Dos 43 que aceitaram divulgar seu nome, encontram-se Brasil e Portugal.  

A iniciativa deve apoiar depois a vacinação em 92 economias de baixa e média rendas. A lista foi aprovada em junho e inclui Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.  

Pesquisas para desenvolver uma vacina contra o coronavírus estão em andamento
Pesquisas para desenvolver uma vacina contra o coronavírus estão em andamento, by Unsplash

Segundo Tedros Ghebreyesus, este mecanismo é fundamental para garantir que, quando for encontrada uma vacina segura e eficaz, todos os países tenham acesso, de uma forma coordenada.  

Se isso não acontecer, o chefe da OMS diz que pode ter lugar “uma pandemia prolongada, já que apenas um pequeno número de países obteria a maior parte do suprimento.”  

Segundo ele, “o nacionalismo de vacinas apenas ajuda o vírus.”  

Investimento  

Governos, fabricantes de vacinas, organizações e indivíduos já investiram US$ 1,4 bilhão pesquisa sobre vacinas, mas são necessários mais US$ 1 bilhão urgentemente.  

O mundo já investiu US$ 12 trilhões para estimular suas economias, mas Tedros disse que “investir no Covax é a maneira mais rápida de acabar com esta pandemia e garantir uma recuperação econômica sustentável.”  

Fases  

Tedros Ghebreyesus explicou depois como as vacinas serão distribuídas.  

Dados distribuídos por sexo garantiriam identificar efeitos da pandemia em cada gênero.
Escolas abriram em 10 de agosto na RD Congo. OMS deu orientações sobre crianças e uso de máscaras., by Unicef/Jean-Claude Wenga

Segundo ele, inicialmente, quando existir um fornecimento limitado, “é importante fornecer a vacina para aqueles que correm maior risco em todo o mundo.”  

Isso inclui os profissionais de saúde, porque estão na linha de frente e são essenciais para salvar vidas e estabilizar o sistema de saúde em geral. Também integra pessoas com mais de 65 anos e aquelas com doenças que as colocam em maior risco.  

À medida que a oferta aumenta, a distribuição será expandida com base em uma avaliação da vulnerabilidade de cada país.  

Nesse momento, várias vacinas estão na fase final de testes. A OMS espera “ter várias candidatas bem-sucedidas que sejam seguras e eficazes.”  

O objetivo é distribuir pelo menos 2 bilhões de doses até o final de 2021.   

Informação  

Enquanto esse recurso não está disponível, a OMS continua a informar sobre as ferramentas disponíveis.   

Para Tedros, “comunicar desafios e soluções foi e continuará a ser a chave para acabar com esta pandemia.”  

Até o momento, mais de 4 milhões de pessoas se inscreveram nos cursos de treinamento da agência. A OMS também fechou uma parceria com a Federação Mundial de Jornalistas de Ciência para ajudar a comunicar os novos desenvolvimentos sobre a pandemia.  

Mais de 9 mil jornalistas, de 162 países, também participaram em um curso online para jornalistas, que está disponível em várias línguas, incluindo português.  

Maiores de 12 anos

A OMS pediu ainda que crianças maiores de 12 anos usem máscaras faciais para ajudar a travar a propagação da pandemia do coronavírus. Os menores com idades entre seis e 11 anos devem cumprir a medida “em uma abordagem baseada no risco”.

A agência aconselha, em particular, que as crianças mais velhas usem máscaras quando a distância de um metro não poder ser garantida.

De acordo com as orientações publicadas pela OMS e o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, em caso de crianças entre seis e 11 anos uma série de fatores devem ser avaliados, incluindo a intensidade da transmissão na área e a capacidade da criança de usar a máscara.
 

Alunos em Gana usando máscaras faciais a caminho da escola.
Unicef/Geoffrey Buta
Alunos em Gana usando máscaras faciais a caminho da escola.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud