Tecnologia digital sendo usada como nunca para rastrear pessoas, alerta Bachelet
BR

25 junho 2020

Alta comissária de Direitos Humanos da ONU pediu suspensão de reconhecimento facial em protestos pacíficos; Michelle Bachelet recebeu relatos deque manifestantes estão sendo hackeados e monitorados; em 2019, internet teria sido cortada em 65 manifestações.

A internet e as novas ferramentas digitais estão sendo usadas como nunca para “violar o direito das pessoas de se reunir livremente”, afirmou a alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet. 

Nesta quinta-feira, ela fez um apelo para suspender o uso da tecnologia de reconhecimento facial durante manifestações pacíficas.

Protestos

Bachelet pediu aos Estados-membros e às empresas que utilizem esses aplicativos sem interferir com a participação de cidadãos em temas públicos.

Para ela, essas tecnologias “podem ajudar a mobilizar e organizar protestos pacíficos, formar redes e coalizões e promover mudanças sociais.” Mas se mal utilizadas, elas também “podem restringir e infringir os direitos dos manifestantes, vigiá-los, rastreá-los e invadir sua privacidade."

Ao mencionar vários protestos contra racismo, corrupção e problemas econômicos, pelo mundo, Bachelet demonstrou preocupação com o uso de armas não-letais contra manifestantes.

Ela disse que todos os policiais devem ser treinados, de forma obrigatória, para usar esses recursos quando deparados com multidões. A alta comissária lembrou que alguns dos dispositivos “podem matar se manejados indevidamente, de forma deliberada ou acidental."

Violações 

De acordo com a ONU, 80 países registram protestos de rua no ano passado. Somente nos cinco primeiros meses deste ano, milhares de pessoas saíram às ruas após a morte do americano George Floyd, em 25 de maio, na cidade de Minneapolis, sob custódia policial.

Uma das diretoras do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Peggy Hicks, afirmou que a tecnologia de reconhecimento facial tem aumentado. Em muitos países, elas podem identificar o participante do protesto em tempo real.  Hicks afirmou que esta tecnologia "é propensa a erros”, e pode causar prisões por engano. Segundo ela, mulheres e negros têm mais chance de serem confundidos, o que pode aumentar e cristalizar casos de discriminação. 

Memorial em honra de George Floyd, no Harlem, Nova Iorque. A morte do americano deu início à onda de protestos, Hazel Plunkett

Abusos

Uma preocupação da ONU foram os relatos de que vários manifestantes tiveram suas chamadas telefônicas interceptadas ou bloqueadas. Outros foram hackeados nas redes sociais e monitorados de forma sistemática. No ano passado, os serviços de internet foram cortados em 65 protestos. 

Peggy Hicks disse que “com frequência, as autoridades veem protestos pacíficos como algo que precisa ser controlado ou gerenciado, e não como uma forma de participação do público na democracia."

Já a alta comissária de Direitos Humanos, Michelle Bachelet, ressalta que apenas cerca de metade das pessoas do mundo tem acesso à internet, e que o foco deve ser o acesso à internet a todos como forma de fortalecer a informação e a participação.

 

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