Coordenador da ONU reúne-se com presidente de Angola para abordar resposta a pandemia
BR

17 abril 2020

Nações Unidas alteraram Quadro de Cooperação com o país para disponibilizar US$ 12,5 milhões de imediato e ajudar resposta do governo; até sexta-feira, país lusófono tinha 19 casos confirmados de covid-19, com duas vítimas mortais.

O coordenador residente da ONU em Angola, Paolo Balladelli, teve uma reunião com o presidente do país, João Lourenço, para discutir a resposta à emergência da covid-19.

Balladelli destacou a declaração atempada do Estado de Emergência, que permitiu travar a transmissão da pandemia na primeira fase e diminuir o número de afetados e mortes. Também permitiu mais tempo para preparar a resposta. 

Medidas

Até sexta-feira, Angola tinha 19 casos confirmados da doença, com duas vítimas mortais. Em declarações à ONU News de Luanda, o coordenador residente destacou as medidas discutidas para conter a pandemia.

“Tivemos toda uma série de decisões importantes que tem a ver com as medidas socio sanitárias, médicas, mas também o equilíbrio que temos de buscar para implementar boas medidas de proteção da população no âmbito social e também econômico.”

Em março, a ONU começou um processo de reprogramação de fundos do Quadro de Cooperação. Como resultado, foram disponibilizados, de imediato, US$ 12,5 milhões para apoiar os esforços do governo. Em breve, serão atribuídos outros US$ 3,5 milhões para apoiar a segurança alimentar das populações do Cunene, Huíla, Namibe e Cuando Cubango.

Balladelli destacou também o trabalho das várias agências da ONU, como a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud.

“Primeiramente, temos de criar boas condições de produção agrícola, onde trabalha a FAO, em particular, com o ministério da Economia e vários setores, para impulsionar as cadeias de valor de trigo, milho, mandioca, ovos e galinhas, de forma a assegurar a segurança alimentar da população. Por outro lado, temos o Pnud, que trabalha no domínio das rendas, sempre com o ministério da Economia, mas também com outros setores que podem criar condições para comercializar e deixar transportar entre uma província e outra comida e outros produtos.” 

Contenção

O coordenador lembrou que as medidas de distanciamento social têm consequências sociais e econômicas, por isso ações que protejam a população e o mercado são indispensáveis. Ele deu o exemplo de transferências monetárias e expansão da produção nacional, dizendo que a prioridade deve ser segurança alimentar e acesso à água. 

Balladelli referiu a importância de massificar os testes, que até ao momento são apenas feitos a pessoas que tenham viajado para países com transmissão local do vírus.

Em relação ao uso de máscaras, Balladelli disse que servem de obstáculo à transmissão e, por isso, reduzem a exposição ao vírus. Ele explicou que em locais onde o distanciamento social é muito difícil, como musseques ou favelas, as máscaras são uma medida importante. Ele lembrou ainda a necessidade de mais equipamento de proteção para os trabalhadores de saúde. 

 

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