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Novas doações reforçam combate ao gafanhoto do deserto no leste da África BR

Uma enorme nuvem de gafanhotos sobrevoa uma planície seca e gramada em Madagascar.
FAO/Yasuyoshi Chiba Uma pequena nuvem de gafanhotos pode comer a mesma quantidade de alimentos consumidos em um dia por cerca de 35 mil pessoas.

Novas doações reforçam combate ao gafanhoto do deserto no leste da África

Ajuda humanitária

Alemanha e União Europeia anunciam juntas € 28 milhões; FAO diz que nuvens de insetos se espalharam para áreas já afetadas por insegurança alimentar.

A ONU recebeu uma contribuição de € 17 milhões da Alemanha para ajudar os afetados pelo surto de gafanhotos do deserto no leste da África.

O valor doado pelo governo alemão reforça os € 3 milhões que a agência da ONU já tinha obtido do país para combater a praga. Um dia antes, a União Europeia também anunciou um total €11 milhões.

Recuperação

Falando em Roma, o diretor da FAO disse várias ações estão em curso para reduzir a disseminação dos gafanhotos. Qu Dongyu lembrou que também é preciso proteger os meios de subsistência e promover a recuperação nessas áreas.

Uma família está parada em uma trilha de terra em uma aldeia de Madagascar, cercada por um enorme enxame de gafanhotos que sobrevoam cabanas com telhados de palha.
Gafanhotos podem afetar a segurança alimentar de milhões de pessoas. , by Foto: FAO/Yasuyoshi Chiba

A atual praga de gafanhotos do deserto é a pior em 25 anos na Etiópia e na Somália. E no Quênia, a situação não ocorria há sete décadas. O Djibuti e a Eritreia também sofreram danos com os insetos que atingiram com menor gravidade  Sudão do Sul, Uganda e Tanzânia.

Fora do continente africano, a agência da ONU recebeu relatos de nuvens de gafanhotos de países como Bahrein, Kuweit, Arábia Saudita, Catar e Irã.

Para o chefe da FAO, a situação é extremamente alarmante na África Oriental. Em poucas semanas, a região com 20 milhões de vítimas de insegurança alimentar teve uma grande reprodução de insetos que arrasaram safras no início da principal estação agrícola.

Combate

Qu Dongyu lembrou que o combate aos gafanhotos é somente a metade da batalha para eliminar a praga. A outra metade requer ajudar os afetados, que incluem agricultores e suas famílias.

Dos US$ 138 milhões necessários para combater o flagelo, a FAO destinou mais de US$ 60 milhões para conter a propagação dos gafanhotos.

Uma foto em close-up de uma acácia-marrom empoleirada em um galho seco.
Gafanhotos podem devastar plantações e pastagens, by Foto: FAO/Giampiero Diana

Mais de US$ 67 milhões deverão garantir os meios de subsistência e promover a recuperação dos danos em áreas afetadas. Cerca de US$ 10 milhões devem ser investidos para promover a coordenação e a preparação regional.

De acordo com a FAO, uma nuvem de um 1 km2 de gafanhotos pode ter 40 milhões de insetos que por dia consumem a mesma quantidade de alimentos que 35 mil pessoas.

Pastagem e cultivo

Com a praga, foram afetadas áreas de pastagem e cultivo em países como Djibuti, Eritreia, Etiópia, Quênia e Somália. Os efeitos são mais graves nas áreas onde milhões de pessoas sobrevivem da agricultura e criação de animais.

A agência tem cerca de 15 especialistas em gafanhotos e outras áreas apoiando os governos em ações como vigilância, coordenação, controle, consultoria técnica, compra de suprimentos e equipamentos para operações aéreas e terrestres.