ONU marca Dia Mundial do Braille ressaltando direitos humanos
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4 janeiro 2020

Para a organização, é necessário incluir as pessoas que vivem com deficiência visual em todo o mundo; atualmente, existem 36 milhões de cegos e cerca de 216 milhões de pessoas vivendo com algum tipo de deficiência visual de moderada a grave.

Este 4 de janeiro, as Nações Unidas marcam pela segunda vez o Dia Mundial do Braille.

Em comunicado, a ONU diz que o objetivo é “aumentar a conscientização sobre a importância do braille como meio de comunicação na plena realização dos direitos humanos das pessoas cegas ou com visão parcial.”

Reconhecimento

Estudantes da escola Al-Noor em Hodan, na Somália, aprender a escrever braille, Foto ONU/Ilyas Ahmed

Em 2018, durante a presidência de María Fernanda Espinosa, a Assembleia Geral aprovou uma resolução estabelecendo o dia mundial. O documento revela que “a plena realização dos direitos humanos e das liberdades fundamentais se baseia na promoção de uma escrita inclusiva.” Durante a 73ª. Sessão, a presidente também promoveu uma estratégia para pessoas com deficiência.

Em 2006, as Nações Unidas adotaram a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que considera o braille “essencial para a educação, liberdade de expressão e opinião, acesso à informação e inclusão social.”

Em entrevista à ONU News, antes do Dia Mundial, o desembargador do Tribunal Regional do Trabalho do estado do Paraná, Ricardo Tadeu Fonseca, explicou como estes documentos e iniciativas mudaram a forma como se enxerga as pessoas com deficiência. Fonseca foi o primeiro juiz e primeiro desembargador cego do Brasil.

“Antes, a visão que se tinha a respeito da pessoa com deficiência era meramente assistencial, agora se tem uma visão política mais aperfeiçoada, no sentido de que essas pessoas passaram a ter um poder de transformação social muito maior, de exigir que a sociedade remova as barreiras que existam, que podem ser urbanísticas, arquitetônicas, tecnológicas, ou a principal: a atitudinal.”

Dificuldades

Segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS, a deficiência visual é uma condição muito comum. A agência afirma que existem 36 milhões de cegos em todo o mundo. Já o número de pessoas vivendo com uma deficiência visual de moderada a grave é de 216 milhões.

Pessoas com deficiência visual enfrentam taxas mais altas de pobreza e baixa escolaridade. Segundo a OMS, ignorar essas necessidades “tem grandes consequências”, como uma vida inteira de desigualdade, saúde precária e barreiras à educação e ao emprego.

Projetos

Neste Dia Mundial, a ONU destaca várias iniciativas de suas agências nesta área.

Na Turquia, a Agência das ONU para Refugiados, Acnur, financia um projeto que ajuda refugiados sírios com deficiência visual a escrever suas memórias. Na Serra Leoa, um projeto do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, ajudou pessoas com esta condição a votar nas eleições.

Já a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, distribuiu materiais sobre prevenção do HIV adaptados no Gana. E, por fim, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, apoiou um projeto de educação inclusiva em Cuba.

 

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