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Pandemia realçou importância do braille para pessoas com deficiência  BR

Um homem de pele escura lê um documento impresso em Braille durante uma conferência.
Foto: ONU/ /Rick Bajornas Sistema permite que cegos e pessoas com deficiência visual possam ler e escrever

Pandemia realçou importância do braille para pessoas com deficiência 

Direitos humanos

Vida em confinamento tem causado dificuldades de independência e isolamento para quem vive com deficiência visual; em entrevista à ONU News, secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência de Portugal disse que crise de saúde ajudou a perceber a importância de ferramentas acessíveis. 

Neste 4 de janeiro, as Nações Unidas marcam o Dia Mundial do Braille. Este ano, a organização destaca a importância da inclusão de pessoas com deficiência durante a pandemia. 

Em todo o mundo, existe 1 bilhão de pessoas com deficiência. Mesmo antes da pandemia, elas já tinham menos acesso a cuidados de saúde, educação e emprego.  

Um homem entrevista Ana Sofia Antunes, Secretária de Estado para a Inclusão de Pessoas com Deficiência, na sede da ONU News, em Nova Iorque.
Ana Sofia Antunes é Secretária de Estado da Inclusão de Pessoas com Deficiência de Portugal , by Reprodução

Dificuldades 

Em entrevista à ONU News, de Lisboa, a secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência de Portugal, Ana Sofia Antunes, disse que pandemia ajudou a perceber a importância da inclusão de pessoas com deficiência.  

“As pessoas, na sua generalidade, tomaram consciência do que é que significa encontrarem-se em situações de restrição de direitos. Isso talvez em alguns momentos lhes tenha permitido colocar-se no lugar do outro, perceber o que significa não poder fazer determinadas coisas, sair de casa, deslocar-se facilmente. Acima de tudo, pode ter propiciado alguma reflexão a este nível.” 

Pessoas com deficiência são mais propensas a viver na pobreza, sofrem com taxas mais altas de violência, negligência e abuso e estão entre os mais marginalizados em qualquer comunidade afetada pela crise. 

Para Ana Sofia Antunes, a pandemia mostrou a importância de se produzir informações essenciais em formatos acessíveis, incluindo braille e tecnologias digitais. 

Uma jovem de cabelos escuros e uniforme escolar recebe um exame de visão usando uma máscara preta para os olhos em sua escola no Peru.
Menina faz exame visual em sua escola em Lima, no Peru, OMS/Sebastian Liste

“É fundamental as tecnologias estarem envolvidas porque, neste contexto, percebemos que, de um momento para o outro, ficamos dependentes delas, para comunicar, para estar em contacto com o mundo, para trabalhar, estudar etc. Da mesma maneira que muitas pessoas desenvolveram capacidades digitais que não tinham, e de repente perante esta necessidade tiveram de as desenvolver, as pessoas com deficiência também tentaram fazer esse esforço. Se as ferramentas tinham condições de acessibilidade, essa adaptação foi feita, o mais difícil é quando essas tecnologias não preveem de raiz a acessibilidade.” 

Dificuldades 

Para pessoas com deficiência visual, a vida em confinamento tem causado dificuldades de independência e isolamento, principalmente para aqueles que precisam do toque para comunicar suas necessidades e acessar informações. 

Quando isso não acontece, elas podem enfrentar um risco maior de contaminação devido à falta de acesso a diretrizes e dados sobre prevenção. 

Nações Unidas 

Durante a pandemia, partes do sistema das Nações Unidas promoveram uma resposta inclusiva para pessoas com deficiência e disseminou informações em braille. 

No Malauí, por exemplo, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, produziu 4.050 materiais em braille sobre conscientização e prevenção. 

Mãos humanas lendo Braille em uma folha de papel. A imagem inclui os textos "DIA MUNDIAL DO BRAILLE" e "4 DE JANEIRO", juntamente com o logotipo das Nações Unidas .
Dia Mundial do Braille, ONU News

Na Etiópia, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos disseminou informações de áudio e materiais educacionais e de comunicação para a mídia e versões em braille das mensagens educacionais.  

Já o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, lançou notas de orientação disponíveis em vários idiomas e formatos acessíveis, como braille.  

O braille, uma representação tátil de símbolos alfabéticos e numéricos usando seis pontos para representar cada letra e número, é essencial no contexto da educação, liberdade de expressão e opinião e inclusão social. 

A importância desta ferramenta está refletida no artigo 2 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.