Unicef quer repatriamento de crianças estrangeiras na Síria “antes que seja tarde demais”
BR

4 novembro 2019

Agência destaca que esses menores precisam urgentemente de cuidados e proteção adequados ; chefe da agência disse que todas estão vivendo em condições que não são adequadas para crianças.

Cerca de 28 mil crianças de mais de 60 países diferentes, incluindo quase 20 mil do Iraque, continuam no nordeste da Síria, principalmente em acampamentos de deslocados.

De acordo com estimativas do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, pelo menos metade dessas crianças têm menos de cinco anos.

Uma família deslocada que vive na área de Al-Shadadi, na província de Al Hassakeh, nordeste da Síria, onde a ONU está prestando assistência alimentar. Foto: PMA/Abeer Etefa

Urgência

A diretora executiva da agência, Henrietta Fore, alertou que o recente conflito no nordeste da Síria “traz uma urgência renovada aos governos de repatriar crianças estrangeiras presas na área antes que seja tarde demais.”

Para a chefe da agência da ONU, os governos “têm agora a responsabilidade e a oportunidade de fazer a coisa certa e levar essas crianças e seus pais para casa, onde podem receber cuidados adequados e estar a salvo de violência e abuso.”

O Unicef estima que pelo menos 250 meninos, alguns com nove anos de idade, estejam sendo detidos, embora os números reais sejam provavelmente muito mais altos.

Proteção

Fore disse que “todos estão vivendo em condições que não são adequadas para crianças.” Ela acrescentou que “a principal pergunta deles para o mundo é: O que vai acontecer conosco?”

A chefe do Unicef afirmou que "as crianças, no nordeste ou em qualquer outro lugar dentro da Síria, não devem ser abandonadas enquanto os muros da guerra se fecham ao seu redor.” Ela destacou que “essas crianças precisam urgentemente de cuidados e proteção adequados.”

Retorno

Pelo menos 17 países já teriam repatriado mais de 650 crianças, muitas das quais agora vivem com membros da família. Em alguns casos, suas mães voltaram com eles.

As crianças que retornaram, algumas com o apoio do Unicef, encontraram segurança, estão na escola e se recuperando das experiências que sofreram na guerra.

Fore elogiou a liderança desses Estados, dizendo que a atitude deles mostra que “onde há vontade, existe um caminho”. A representante lembrou que as ações desses países “continuam sendo a exceção, e não a norma.”

O Unicef enfatiza que o melhor interesse das crianças deve ser uma consideração primordial em todos os momentos.

© Unicef/Delil Souleiman
Em 11 de outubro de 2019, na Síria, mulher e crianças aguardam embaixo de um caminhão, em Tal Tamer, depois de fugir da escalada da violência.

Sobrevivência

Fore afirmou que a agência continua profundamente preocupada com a segurança e o bem-estar dessas crianças e dos dezenas de milhares de menores sírios que lutam para sobreviver em meio a condições cada vez mais difíceis nos campos e centros de detenção da região.

Entre essas crianças estão 40 mil pessoas que foram recentemente deslocadas no nordeste da Síria. Algumas delas foram separadas de suas famílias, feridas ou incapacitadas devido à violência.

A chefe do Unicef alertou que todas elas “são criticamente vulneráveis ​​e precisam urgentemente de proteção contra outros danos.”

Unicef/Aaref Watad
Crianças da Síria junto da fronteira com a Turquia, fugindo da violência em Idlib

Unicef

Ao reforçar o pedido de ação urgente dos Estados-membros e das partes do conflito, o Unicef lembra ainda que a detenção deve ser apenas uma medida de último recurso e pelo menor tempo possível. A agência destaca que crianças não devem ser detidas apenas com base em suspeitas de vínculos familiares com grupos armados ou na participação de membros da família em grupos armados.

Alinhados aos melhores interesses da criança e em conformidade com os padrões internacionais, os governos devem garantir a reintegração segura das crianças sírias em suas comunidades locais e o repatriamento seguro, digno e voluntário das crianças estrangeiras de volta aos seus países de origem. O Unicef destaca que a preservação da unidade familiar e o princípio da não repulsão são críticos para proteger as crianças.

A agência da ONU também lembra que as partes no conflito e as pessoas com influência devem proteger as crianças o tempo todo. Isso inclui evitar ataques a populações e infraestrutura civil, como centros de saúde, sistemas de água e escolas.

 

 

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