Síria: Nações Unidas dizem que alvos civis devem ser protegidos de ataques
BR

14 outubro 2019

Porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos contou que entre os civis mortos nos bombardeios da Turquia estão mulheres e crianças; Rupert Colville disse que num conflito, todas as partes devem respeitar as leis internacionais.

As Nações Unidas informaram que estão recebendo “relatos perturbadores” sobre ataques realizados por forças da Turquia na Síria.

Numa entrevista a jornalistas, na semana passada, o porta-voz do Alto Comissariado de Direitos Humanos, Rupert Colville, disse que as mortes estão ocorrendo em ataques aéreos e por terra no nordeste da Síria. Dezenas de milhares de pessoas fugiram da região por causa da ação militar.

Uma criança caminha pelas ruas de Aleppo, na Síria.
Uma criança caminha pelas ruas de Aleppo, na Síria. Foto: Unicef/Grove Hermansen

Petróleo

Em 9 de outubro, um homem morreu e mulher e um menino ficaram feridos num confronto de forças turcas com grupos armados curdos em Jarablus.

Colville contou que os ataques estão atingindo a infraestrutura da região cortando fornecimento de água e de eletricidade. Além disso, os bombardeios afetaram poços de petróleo e uma barragem.

Na área de Alouk, a principal estação de abastecimento de água parou de funcionar causando a interrupção do serviço para milhares de pessoas nos próximos dias.

Segundo a ONU, no norte da Síria em localidades como Afrin, Al-Bab, Jarablus e Azaz, que já estavam sob controle das forças turcas e grupos apoiadores do governo de Ancara, a violência e a criminalidade continuam soltas.

As Nações Unidas pediram a abertura de inquérito independente e integral sobre um ataque com mísseis na quarta-feira no noroeste da Síria.
Foto/PMA
As Nações Unidas pediram a abertura de inquérito independente e integral sobre um ataque com mísseis na quarta-feira no noroeste da Síria.

Paradeiro

O porta-voz disse que recebeu relatos de intimidações, batidas policiais de porta em porta à procura de cidadãos curdos, simpatizantes ou associados a eles, maus tratos, sequestros, saques e até assassinatos.

O paradeiro de muitas pessoas permanece desconhecido.

O Alto Comissariado de Direitos Humanos informou que em qualquer operação militar é preciso respeitar as leis internacionais humanitárias especialmente os princípios da distinção, proporcionalidade e precaução.

Além disso, as partes em conflito devem evitar explosivos em áreas densamente populosas.

Os civis e as estruturas civis devem ser protegidas de ataques. E todas as partes devem respeitar as leis.

O governo da Turquia garantiu ao chefe do Escritório de Coordenação da Assistência Humanitária, Ocha, Mark Lowcock, que visitou Ancara, na semana passada, que os civis seriam protegidos na ação militar contra o nordeste da Síria.

Mas na quinta-feira, a região sofreu um dia de pesados ataques, de acordo com um porta-voz do Ocha, Jens Laerke, houve intensos bombardeios em toda a fronteira do norte da Síria com a Turquia, de Jarablus, ao oeste do rio Eufrates à fronteira com o Iraque.

 

 

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