Escola para maridos, em Burkina Fasso, diz que homem de verdade respeita mulheres
BR

9 outubro 2019

Projeto tem apoio do Unfpa e do Banco Mundial; objetivo é formar homens para se tornar “maridos melhores”; nas escolas, eles também aprendem tarefas domésticas e aprendem que mulheres e meninas têm direito de viverem sem violência; mais de 500 homens já passaram pelo curso em Burkina Fasso.

O local se chama Mamboué, um vilarejo no oeste de Burkina Fasso, o país do oeste da África. É ali, que uma vez por semana, 16 homens se reúnem na Escola de Maridos e Futuros Maridos.

Quem é “aprovado”, sai da escola como um marido melhor. E esta turma já inclui 500 homens somente em Burkina Fasso.

Waimbabie quis ser um pai presente para seu filho. Foto: Lionel Yaro/ Banco Mundial

Cultura

As aulas quebram estereótipos de gênero e mostram aos homens o papel que eles devem ter para acabar com a violência a mulheres e meninas e como podem ensinar a suas filhas e esposas uma cultura diferente.

Waimbabie Gnoumou é um dos alunos. Martine, a esposa, diz que ele está aprendendo a ser “um marido melhor”. Desde que começou a ir à escola, o relacionamento do casal “melhorou muito”.

As aulas são variadas. Os alunos aprendem planejamento familiar, importância da assistência pré-natal e da educação das meninas.

A iniciativa é apoiada pelo Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa, e pelo Banco Mundial.

Uma das tarefas dos formadores é eliminar mitos como um que associa planejamento familiar à esterilidade.

Os homens também aprendem tarefas domésticas para fazerem sua parte em casa. E são ensinados que mulheres e meninas têm o direito de viver sem violência.

Lionel Yaro/ Banco Mundial
Desde que ingressou na escola dos maridos, Waimbabie passou a se envolver nas tarefas domésticas.

Comunidades

De acordo com o Unfpa, a proposta é simples: criar empatia entre os homens para desafios enfrentados por mulheres em comunidades.

Gnoumou, por exemplo, se orgulha de ter mudado seu comportamento. Ele conta que "muitas vezes brigava com a esposa e até batia nela."  

Agora, a violência acabou e Martine diz que o marido está transformado. Segundo ela, ele passou a carregar água e madeira e assumiu outras tarefas domésticas. A meta dele é inspirar outros homens.

Iniciativa

O Unfpa apoia as escolas de maridos desde 2008, quando a iniciativa surgiu no Níger, o país vizinho. No curso para melhores maridos, as lições são adaptadas aos costumes e à cultura da comunidade.

A agência da ONU destaca que os temas das aulas são cruciais no Sahel. Essa região africana possui umas das maiores taxas de mortes maternas do mundo. Ela tem ainda um dos mais baixos indicadores de autonomia para meninas.

Em Burkina Fasso, 52% das meninas se casam antes dos18 anos. A tendência delas de se matricularem em escolas é menor do que a dos meninos.

Mais de 1.640 escolas de maridos foram estabelecidas em países que implementam o projeto Empoderamento e Dividendo Demográfico das Mulheres do Sahel, Swedd. Foto: © Unfpa/Ollivier Girard

Projeto

As escolas para maridos fazem parte do projeto Empoderamento e Dividendo Demográfico das Mulheres do Sahel, Swedd.   

Atualmente, mais de 1,6 mil escolas de maridos foram estabelecidas nos sete países onde o Swedd está sendo implementado.

O responsável pelo programa de gênero do Unfpa no Níger, Issa Sadou, diz que “mudanças comportamentais dos homens tiveram impactos positivos nas comunidades.”

Para ele, o “desafio do Swedd é passar da mudança de comportamento para a mudança da norma social.”

O projeto está sendo implementado pelos governos do Benin, Burkina Fasso, Chade, Cote d’Ivoire ou Costa do Marfim, Mali, Mauritânia e Níger.

Além das escolas dos maridos, o projeto oferece treinamentos vocacionais para meninas e iniciativas para que elas permaneçam nas escolas, cuidem de sua própria saúde e defendam seus direitos.

 

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