Moçambique destaca paz, desastres naturais e segurança na ONU

29 setembro 2019

Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação moçambicano discursou este sábado na 74ª sessão da Assembleia Geral; representante destacou temas como resposta a ciclones, acordo de paz e ações de malfeitores na província de Cabo Delgado.

O ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, José Pacheco, afirmou que “o mundo continua flagelado por desigualdades, tensões e divisões que desafiam o papel do multilateralismo.”

O representante discursou este sábado na 74ª sessão da Assembleia Geral. Segundo ele, o multilateralismo ainda é “o mecanismo privilegiado de debate de ideias, concertação e forja de consensos num ambiente caracterizado por um défice crescente de confiança entre as nações.”

Abertura da Assembleia Geral, by Foto ONU/Cia Pak

Desastres naturais

Pacheco lembrou depois os dois grandes ciclones que atingiram o país no início do ano. Segundo o ministro, “Moçambique é considerado por alguns cientistas como o segundo país do mundo mais vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas.”

“Os dois ciclones tropicais de extrema magnitude, nomeadamente, o IDAI e o KENNETH, que devastaram extensas regiões do nosso país em Março e Abril deste ano, são prova disso, tendo causado 689 vítimas mortais e uma destruição do tecido económico-social nas zonas Centro e Norte do país, enquanto a zona Sul do país continua a ressentir-se dos efeitos da seca e do ciclone Dineo que ocorreu em 2018."

O ministro destacou a Conferência Internacional de Doadores, realizada na cidade da Beira em maio, que resultou em promessas no montante avaliado de US$ 1,2 mil milhões. Segundo as estimativas da Avaliação das Necessidades Pós-Desastres, são necessários US$ 3,2 mil milhões.

A esse propósito, ele reiterou “prontidão para continuar a trabalhar com os parceiros visando imprimir maior celeridade ao processo de desembolsos da ajuda prometida.”

José Pacheco disse ainda que o país está “empenhado em reforçar as medidas de adaptação e resiliência”, no quadro do Acordo de Paris, porque as autoridades estão “cientes de que os desastres naturais induzidos pelo clima se tornaram fenómenos recorrentes.”

Acordo de paz

No dia 6 de agosto passado, foi assinado o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional de Maputo. O ministro disse que o documento “traduz o sucesso do diálogo interno e cria condições apropriadas para galvanizar a agenda de desenvolvimento de Moçambique.”

“Atualmente, decorre o processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração, incluindo aspectos ligados à estrutura de comando e direção das Forças de Defesa e Segurança nacionais para alcançar este desiderato. Reconhecemos que a materialização deste importante processo requer uma capacidade técnica e financeira robusta, pelo que tomamos a ocasião para reiterar o apelo à comunidade internacional para apoio e assistência contínua na implementação do Acordo, sobretudo na manutenção do diálogo como plataforma incontornável de resolução de diferenças.”

O representante disse ainda que “a implementação plena” do acordo vai permitir que as eleições presidenciais, marcadas para 15 de outubro, possam acontecer em um “espírito de convivência democrática pacífica.”

Segurança

O ministro José Pacheco referiu ainda outros desafios e reformas internas, destacando a situação na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

Segundo ele, a região “está a ser ensombrada pelas ações de malfeitores, que continuam a suscitar preocupação, ao semear luto e destruição do tecido socioeconômico, criando instabilidade em zonas localizadas.”

Acompanhe aqui a entrevista da ONU News com o ministro José Pacheco:

Nações Unidas

Pacheco agradeceu ao secretário-geral, António Guterres, pelo “trabalho abnegado em prol do fortalecimento do sistema das Nações Unidas através de reformas na arquitetura da paz e segurança internacionais e do reposicionamento do sistema de desenvolvimento para melhor responder aos anseios dos Estados membros.”

Ele considerou a reforma do Conselho de Segurança “um objetivo fundamental”, dizendo que o órgão precisa “ganhar maior credibilidade e legitimidade e situe melhor a realidade do Século 21 na sua composição e atuação.”

Sobre os Objetivos da Agenda 2030, ele disse que Moçambique dá prioridade ao agronegócio, às redes de infraestruturas, à expansão da cobertura da rede eléctrica e ao ecoturismo.

Ele afirmou que o governo “adoptou uma abordagem que privilegia a proteção e o respeito dos direitos humanos”, bem como o desenvolvimento de capacidades das mulheres, jovens e outros grupos sociais vulneráveis.

Dentre os lusófonos, já discursaram os presidentes de Angola, Brasil Portugal, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Guiné-Bissau. O representante de Timor-Leste encerra a participação dos países que falam português na segunda-feira.

 

 

 

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