Presidente da Assembleia Geral diz que não há “espaço para cinismo ou apatia”
Tijjani Muhammad-Bande abriu debate de alto-nível da 74ª sessão da Assembleia Geral; mais de 150 chefes de Estado e de Governo participam no encontro; nesta terça-feira, discursam os presidentes de Angola, Brasil, Portugal.
O presidente da Assembleia Geral, Tijjani Muhammad-Bande, disse esta quarta-feira que o mundo “permanece há muito tempo na encruzilhada do desenvolvimento humano”.
Muhammad-Bande discursou na abertura do debate de alto-nível da Assembleia Geral na sede da ONU em Nova Iorque.
Esforços
O representante disse que é preciso “juntar esforços para encontrar soluções para as incontáveis dificuldades de conflitos violentos, terrorismo, desastres naturais, drogas, tráfico sexual e analfabetismo de que milhões de pessoas em todo o mundo sofrem.”
O presidente disse que, em 1945, a ONU foi criada para “garantir que nunca mais se percorresse esse caminho destrutivo.” Apesar de algumas falhas, o representante afirmou que “muito bem aconteceu à humanidade devido ao trabalho desta grande organização.”
Muhammad-Bande destacou depois a “conquista mais recente”, a adoção da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que foi adotada pelos países-membros em 2015.
O representante disse que os desafios mundiais “não serão resolvidos por países individualmente, porque exigem uma cooperação focada.”
Paz e pobreza
O presidente da Assembleia Geral disse que “a promoção da paz e segurança internacionais está no centro do trabalho das Nações Unidas” e que estes problemas “devem ser enfrentados de frente.”
Segundo ele, a erradicação da pobreza continua sendo um grande desafio. Bande pediu aos representantes que desenvolvam melhores sistemas de proteção social e canalizem uma proporção significativa dos gastos para grupos marginalizados, que são mais afetados pela pobreza.
O representante afirmou ainda que a mudança climática está piorando problemas como pobreza e escassez de alimentos. Segundo ele, “as consequências de não agir representam perigos graves para o mundo, agora e no futuro.”
Inclusão
Bande disse que é preciso garantir a inclusão de jovens, mulheres e pessoas com deficiência, porque “é a coisa certa.” Mas também porque “garante a expansão da economia e a acentuação da inclusão em todos os países.” Ele destacou “avanços consideráveis” em alguns países-membros, mas disse que “todos os países têm amplo espaço para melhorias.”
Tijjani Muhammad-Bande concluiu dizendo que, para enfrentar esses desafios, o mundo precisa “não cair novamente nas amargas rivalidades do passado.”
Exemplos
O representante afirmou que “existem muitas provas de que grandes coisas são possíveis com coragem, firmeza e empatia.”
Ele destacou o exemplo De Mahatma Ghandi, que liderou uma campanha bem-sucedida pela independência da Índia, da jovem Greta Thunberg, ativista na área climática, e Nelson Mandela, que permaneceu combateu o Apartheid na África do Sul. Falou ainda sobre Malala Yousafzai, Martin Luther King Jr., ou Abubakar Abdullahi, um nigeriano que salvou a vida de mais de 250 cristãos durante um ataque.
Muhammad-Bande terminou o discurso dizendo que “há um grande trabalho a ser feito” e não há “espaço para cinismo ou apatia.”
Encontro
O debate de alto-nível da Assembleia Geral começou esta terça-feira com um discurso do secretário-geral da ONU, António Guterres.
O chefe da ONU disse que se está “vivendo num mundo de inquietudes.” Segundo ele, “muitas pessoas temem ser pisoteadas, frustradas, abandonadas, deixadas para trás.”
De acordo com a ONU, a nova sessão terá como prioridades temas como paz e segurança, erradicação da pobreza, fome zero, educação de qualidade, ação climática e inclusão. As reuniões também darão ênfase aos direitos humanos e à paridade de gênero.
Nesta terça-feira, discursam os presidentes de Angola, João Lourenço, do Brasil, Jair Bolsonaro, e de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.