Encontro de Cúpula sobre Ação Climática reúne mais de 80 líderes internacionais

23 setembro 2019

Evento, convocado pelo secretário-geral da ONU, terá mais de 60 chefes de Estado e Governo; novo relatório afirma que últimos cinco anos foram os mais quentes desde o início dos registros e perdas de glaciares nunca foram tão grandes como as ocorridas entre 2015 e 2019.

Esta segunda-feira, 23 de setembro, mais de 80 de líderes de governo, do setor privado e da sociedade civil anunciam seus compromissos para parar a mudança climática.

As promessas serão feitas em Nova Iorque, durante o Encontro de Cúpula para a Ação Climática, que foi convocado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.

Guterres vistou as Bahamas para ver a destruíção do furacão Dorian, by Foto ONU/OCHA/Mark Garten

Agenda

O evento começa com um diálogo entre o chefe das Nações Unidas e um grupo de jovens. Seguem-se depois 12 painéis, de 10 a 15 minutos, em que os lideres farão os seus anúncios

Dentre os países lusófonos, apenas participa o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, que irá anunciar os compromissos do país durante uma sessão dedicada à construção de um futuro resiliente.

O primeiro painel será dedicado a um mundo com neutralidade de carbono, seguem-se sessões sobre energias limpas, desenvolvimento dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, Sids, ou ação centrada nas pessoas.

Participantes

Participam mais de 60 de chefes de Estado e de Governo, como a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson.

Também anunciarão suas promessas chefes de organizações internacionais, como o presidente do Banco Mundial, David R. Malpass, do Conselho da União Europeia, Donald Tusk, ou do Banco de Desenvolvimento Africano, Akinwumi Adesina,

Emissões globais de dióxido de carbono estão atingindo níveis recordes e continuam aumentando

Do mundo empresarial, vêm os diretores-executivos das multinacionais Danone, Emmanuel Faber, Allianz, Oliver Baete, ou Iberdrola, Jose Ignacio Sanchez Galan. Por fim, da sociedade civil, discursará o presidente da Fundação Melinda e Bill Gates, Bill Gates, e a diretora executiva da Fundação Fundo de Investimento para Crianças, Kate Hampton.

Emergência

Segundo as Nações Unidas, as emissões globais de dióxido de carbono estão atingindo níveis recordes e continuam aumentando. O impacto da mudança climática já pode ser visto através da poluição do ar, ondas de calor e riscos para a segurança alimentar.

A ONU afirma que “os impactos estão sendo sentidos em todos os lugares e estão tendo consequências muito reais na vida das pessoas.” Apesar disso, a organização diz que “há um reconhecimento crescente de que existem soluções que permitem avançar para economias mais limpas e mais resilientes.”

Ativista Greta em protesto junto da ONU, Foto ONU/Manuel Elias

Soluções

A análise mais recente mostra que, atuando nesse momento, se pode manter o aumento da temperatura média global abaixo de 1,5° C face aos níveis pré-industriais. Para isso, é necessária uma redução de 45% das emissões de gases de efeito estufa até 2030 e atingir a neutralidade de carbono até 2050.

O secretário-geral tem feito três pedidos para alcançar esses objetivos: transferir impostos das pessoas para a poluição, eliminar subsidies a combustíveis fosseis e, por fim, parar com a construção de novas centrais de energia a carvão até 2020.

Em entrevista na semana passada, António Guterres disse que espera “o tipo de ação necessária para cumprir as metas que a comunidade internacional de cientistas diz ser precisa para acabar com a mudança climática.”

O encontro foi precedido pela Cúpula da Juventude sobre o Clima, no sábado, quando jovens líderes apresentaram suas propostas e soluções.

Novos dados

No domingo, um grupo de sete organizações climáticas lançaram um relatório conjunto com o tema “Unidos pela Ciência”.

Últimos cinco anos foram os mais quentes alguma vez registrados

A pesquisa confirma que os últimos cinco anos foram os mais quentes alguma vez registrados. Desde que há registros, a perda de glaciares nunca foi tão grande como a que aconteceu entre 2015 e 2019. O nível do mar subiu 4 milímetros por ano no período entre 1997 e 2016, quando comparado com um aumento de 3,04 milímetros na década anterior. O nível de acidez dos oceanos, que provoca a morte dos corais, aumentou 26% desde o início da era industrial, em meados do século 18.

A pesquisa afirma que existe “um fosso flagrante, e crescente, entre as metas acordadas para resolver a mudança climática e a realidade.”

Segundo o relatório, “há uma necessidade urgente de transformação socioeconômica em setores-chave como uso dos solos e energia para evitar um aumento perigoso da temperatura com efeitos, potencialmente, irreversíveis.”

Pnud Chad/Jean Damascene Hakuzim
Crianças no Chade plantam uma árvore de acácia.

 

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