Chefe da ONU diz que se recusa a ser cúmplice na destruição do planeta Terra

23 setembro 2019

Secretário-geral, António Guterres, fez a declaração na abertura do Encontro de Cúpula sobre Ação Climática; segundo ele, o “tempo está a acabar, mas ainda não é tarde demais”; mais de 80 líderes internacionais participam do evento.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, abriu esta segunda feira o Encontro de Cúpula sobre Ação Climática, na sede da ONU em Nova Iorque.

O chefe das Nações Unidas afirmou que o “tempo está a acabar, mas ainda não é tarde demais.”

Consequências

Meninas do ensino médio de Long Island, Nova Iorque, se juntam a outros jovens ativistas climáticos. (20 de setembro de 2019),  Unicef/ David Berkwitz

Guterres lembrou de desastres naturais recentes e afirmou que “a natureza está respondendo com fúria.”

Ele citou sua visita às Bahamas, este mês, quando viu de perto os efeitos do furacão Dorian.  O chefe da ONU também lembrou de Moçambique, atingido por dois ciclones no início do ano,  

Para ele, quando se vê essas imagens, “não são apenas imagens de danos, mas nelas pode-se ver o futuro.”

O Encontro de Cúpula sobre Ação Climática reúne mais de 80 líderes internacionais de governos, setor privado e da sociedade civil.  

Para o chefe da ONU, não há mais tempo para conversas, mas sim para ação.

Ao falar da Cúpula da Juventude sobre o Clima, realizada no sábado, Guterres disse que “os jovens estão oferecendo soluções cobrando prestação de contas e ação urgentes.”

O secretário-geral afirmou que a sua geração “falhou com a responsabilidade de proteger o planeta”, e que isso deve mudar. Segundo ele, a mudança climática é causada pelas pessoas, e as soluções devem vir delas.

Combate

O chefe da ONU citou algumas ferramentas necessárias para este combate. Existem tecnologias que podem substituir mais de 70% das emissões atuais. O mundo conta com mapas para essa ação, a Agenda 2030 e o Acordo de Paris, e “o mais imperativo, que é a existência de ciência inegável e irrefutável.”

Segundo os últimos dados do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas, Ipcc, se as temperaturas subirem mais de 1.5ºC, haverá danos graves e irreversíveis. Se nada for feito, as temperaturas devem subir 3°C até ao final do século.

O chefe da ONU citou as netas, que estarão vivas para encarar esta realidade. Ele afirmou que não será “uma testemunha silenciosa do crime de condenar o presente e destruir o direito a um futuro sustentável.”

Para evitar esse cenário, é necessário cortar as emissões de dióxido de carbono em 45% até 2030 e atingir a neutralidade de carbono até 2050.

Chefe da ONU no Encontro de Cúpula da Juventude, Foto ONU/Kim Haughton

Novo modelo

O chefe da ONU afirma que é preciso “ligar a mudança climática a um novo modelo de desenvolvimento, uma globalização justa, com menos sofrimento, mais justiça e harmonia entre as pessoas e o planeta.”

Guterres disse que “tudo tem um custo, mas o maior custo é não fazer nada.” Para ele, “o mais caro é subsidiar uma indústria de combustíveis fosseis que está morrendo e construir mais e mais centrais de carvão.”

O secretário-geral perguntou depois se seria uma questão de “bom senso dar trilhões do dinheiro dos contribuintes para a indústria de combustíveis fósseis fortalecer furacões, espalhar doenças tropicais e aumentar conflito?”

Segundo ele, “é tempo de mudar os impostos dos salários para o carbono, e taxar poluição, não pessoas.” Ele acredita que é possível “fazer uma transformação política e dos mercados para um mercado verde, com melhores vidas, trabalhos, saúde, segurança alimentar, igualdade e crescimento sustentável.”

O chefe da ONU terminou dizendo que é sua obrigação, e obrigação de todo o mundo, fazer tudo o que é possível para parar a mudança climática antes que ela pare a todos.

Encontro

Depois do discurso de António Guterres, mais de 80 de líderes de governo, do setor privado e da sociedade civil estão anunciando seus compromissos para parar a mudança climática.

Os anúncios estão sendo feitos em 12 painéis, de 10 a 15 minutos. Dentre os países lusófonos, apenas participa o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, que irá anunciar os compromissos do país durante uma sessão dedicada à construção de um futuro resiliente.

O primeiro painel é dedicado a um mundo com neutralidade de carbono, seguem-se sessões sobre energias limpas, desenvolvimento dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, Sids, ou ação centrada nas pessoas.

 

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