Após visitar refugiados, Angelina Jolie alerta sobre “situação de vida e morte para milhões de venezuelanos”

10 junho 2019

Enviada especial do Acnur esteve na fronteira entre Colômbia e Venezuela; atriz elogia solidariedade dos colombianos; 4 milhões de venezuelanos já saíram do país, a maioria para países vizinhos.

A enviada especial da Agência das Nações Unidas para os Refugiados, Acnur, Angelina Jolie, visitou a fronteira entre a Colômbia e a Venezuela este fim de semana.

A atriz de Hollywood falou com alguns dos mais de 1,3 milhão de venezuelanos que procuraram proteção na Colômbia.

Colômbia

A atriz de Hollywood falou com alguns dos mais de 1,3 milhões de venezuelanos que procuraram proteção na Colômbia.Acnur/ Andrew McConnell

Em discurso, Jolie destacou que o impacto deste movimento migratório nos serviços públicos na Colômbia é “impressionante” com alguns hospitais fronteiriços que prestam assistência médica de emergência tanto a venezuelanos quanto a colombianos.” Muitas escolas duplicaram o número de alunos em suas salas de aula.

A enviada especial considera que esta realidade “uma situação de vida e morte para milhões de venezuelanos". A atriz elogiou a Colômbia por manter as suas fronteiras abertas e por fazer “todo o possível para absorver esse número sem precedentes de pessoas desesperadas.”

Recordando que os colombianos “conhecem bem o deslocamento” causado por 50 anos de guerra, Jolie recordou que o acordo de paz em vigor no país “tem menos de três anos e é frágil.”

Por isso, ela considera “extraordinário que um país que enfrenta tantos desafios enormes tenha demonstrado essa humanidade e faça todos estes esforços para salvar vidas.” Ela reconheceu “a bravura, a força e a resiliência do povo colombiano”.

Financiamento

A maioria dos venezuelanos que fugiu continua na América Latina. Mais de metade vive na Colômbia, no Peru, no Chile, no Equador, na Argentina e no Brasil.Acnur/ Stephen Ferry

Segundo a enviada especial, o apelo humanitário emitido pelo Acnur e os seus parceiros, em dezembro do ano passado, só foi financiado em 21%.

Os recursos são escassos numa altura em que, segundo a ONU, o número total de refugiados e migrantes venezuelanos subiu para mais de 4 milhões.

Em declaração conjunta, a Organização Internacional para as Migrações, OIM, e a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, Acnur, descrevem a escala do êxodo como "impressionante", com o aumento do número de deslocados em 1 milhão nos últimos sete meses.

Ajuda Internacional

O representante especial para os refugiados e migrantes venezuelanos, Eduardo Stein, considera que “estes números alarmantes destacam a necessidade urgente de apoiar as comunidades anfitriãs nos países recetores.”

Ele lembra também que “os países da América Latina e do Caribe fazem a sua parte para responder a esta crise sem precedentes”, mas para tal “não se pode esperar que continuem sem ajuda internacional.”

A maioria dos venezuelanos que fugiu continua na América Latina. Mais de metade vive na Colômbia, no Peru, no Chile, no Equador, na Argentina e no Brasil.

Assistência humanitária

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, informou que 55 toneladas de material de saúde chegaram à Venezuela desde o começo do ano.

Os itens foram distribuídos em 25 hospitais nos estados mais afetados do país, em Caracas, Miranda, Zulia, Bolívar e Táchira. O auxílio inclui kits de obstetrícia, antibióticos e tratamento para a malária.

De acordo com a diretora de Comunicação do Unicef, Paloma Escudero, que acaba de concluir uma viagem de três dias ao país, “um terço das crianças na Venezuela precisa de ajuda para ter acesso a nutrição, saúde e educação.”

O Unicef está preocupado que a atual situação na Venezuela esteja a aumentar a vulnerabilidade das crianças. A agência estima que uma em cada três crianças precisa de assistência humanitária,.

Entre 2014 e 2017, a mortalidade infantil de menores de cinco anos teria aumentado e 558 casos suspeitos de sarampo foram registados desde o início do ano.

 

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