Portugal destaca “papel muito importante” das Nações Unidas na Venezuela

Venezuelana com o filho na Colômbia, depois de escapar da crise humanitária em seu país
Unicef/ Arcos
Venezuelana com o filho na Colômbia, depois de escapar da crise humanitária em seu país

Portugal destaca “papel muito importante” das Nações Unidas na Venezuela

Assuntos da ONU

Ministro dos Negócios Estrangeiros participou em encontro de chefes da diplomacia na sede da ONU; Augusto Santos Silva diz que coordenação da ONU da ajuda humanitária é boa notícia e que ainda não chegou fase de mediação.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal disse esta segunda-feira que o “papel das Nações Unidas é muito importante no domínio da ajuda humanitária” durante a crise na Venezuela.

Augusto Santos Silva participou em um encontro na sede da ONU, em Nova Iorque, que juntou representantes do Grupo de Lima, do Grupo de Contato Internacional e a alta-representante da União Europeia, UE, para a Política Externa e Segurança, Federica Mogherini.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, anunciou o programa das celebrações em pelo menos 44 países com cerca de 150 atividades
Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva. , by ONU News

Crise humanitária

O ministro português disse que houve progressos positivos nos últimos meses em relação à crise econômica e social que afeta os venezuelanos.

“A ação humanitária é o domínio em que tem havido progressos efetivos. Finalmente, o regime de Maduro reconheceu a crise humanitária que se vive na Venezuela e, finalmente, todas as partes perceberam que a intervenção humanitária que nós precisamos é aquela que segue os princípios internacionais, que é neutra, do ponto de vista político, e que é independente, que é apenas humanitária.”

O representante de Portugal disse que “esse é um dos bons resultados” dos esforços internacionais, diante de  “uma sucessão de dificuldades de toda a ordem que tem vitimado, imerecidamente, a população venezuelana.”

Política

Augusto Santos Silva também disse que a situação no país ainda não permite uma mediação internacional, mas sim um apoio aos mecanismos nacionais de resolução de conflitos.  

“Em primeiro lugar, temos que notar que o Conselho de Segurança já tem, por mais do que uma vez, analisado a questão. Infelizmente, não tem conseguido chegar ao consenso necessário para tomar decisões. A nosso ver, do Grupo de Contato Internacional e da União Europeia, ainda não estamos em uma fase em que seja possível ativar uma mediação. Ainda estamos numa fase anterior, em que o objetivo possível é facilitar o processo político venezuelano.”

Plano humanitário também pretende promover e reforçar a proteção e a dignidade dos grupos mais vulneráveis
Até o final de 2018, cerca de 460 mil venezuelanos pediram formalmente asilo, a maioria nos países vizinhos da América Latina, Unicef/ Arcos

Para Augusto Santos Silva, pode ser necessária uma intervenção política das Nações Unidas, mas é preciso que exista um objetivo nessa participação.

“Estou certo de que as Nações Unidas, através dos seus órgãos competentes, seja o secretário-geral, seja o Conselho de Segurança, intervirão na medida das suas competências assim que as condições estiverem criadas para que essa intervenção faça sentido e tenha utilidade.”

Encontro

No encontro, também participaram os chefes da diplomacia do Canadá, Chrystia Freeland, do Peru, Néstor Popolizio, e do Chile, Roberto Ampuero.

Em uma declaração emitida no final da reunião, os Estados-membros afirmaram que “o impacto regional da crise exige que a região e a comunidade internacional tenham um papel mais ativo no apoio ao regresso da democracia à Venezuela.”

Também confirmam o “compromisso com uma transição pacifica que leve a realização de eleições livres e justas” e expressam “apoio a todos os esforços sendo realizados para atingir este objetivo.”