Líbia: mais de 4,5 mil pessoas fugiram num só dia de Trípoli
BR

17 abril 2019

“Noite horrível” é destacada em mensagem do enviado das Nações Unidas que pede fim imediato dos confrontos; ataques de terça-feira geraram nível de deslocamentos considerado o mais alto desde que começou a recente crise.

As Nações Unidas estimam que num só dia mais de 4,5 mil pessoas tenham fugido das suas casas devido aos confrontos que teriam provocado seis mortes em Trípoli, capital da Líbia.

A situação piorou nesta terça-feira após uma noite de ataques armados, de artilharia pesada e aéreos em vários locais dentro e nos arredores da cidade. Com essas ações, o número de deslocados subiu para 25 mil.

“Noite horrível”

O representante especial do secretário-geral para a Líbia, Ghassam Salamé, disse que foi uma “noite horrível de bombardeios aleatórios a áreas residenciais”. Em mensagem no Twitter, o enviado declarou que “por causa dos 3 milhões de civis que vivem na Grande Trípoli, esses ataques devem parar, agora”.

Segundo o Escritório da ONU para os Assuntos Humanitários, Ocha, muitos civis que ainda estão isolados em áreas onde ocorrem confrontos enfrentam o dilema entre continuar ou sair de suas casas pela incerteza causada pela situação.

O que piora esse cenário é a falta de alimentos e de outros produtos essenciais em algumas áreas.

Na noite em que cerca de 20 pessoas ficaram feridas, os bombardeios causaram danos em vários bairros, incluindo Abusliem, Souq Jumaa e Hadbaa. Se for confirmado o número de feridos de terça-feira, o total desde o início da atual violência subirá para 80, incluindo 20 mortos.

Arredores

Segundo o Ocha, a situação mostra o impacto pesado dos confrontos sobre a população civil, à medida que os combates continuam em Trípoli e nos arredores.

O nível de deslocamentos é o mais alto desde que a recente crise começou. A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, já transferiu migrantes e refugiados vulneráveis do centro de detenção de Abusliem, situado na área do conflito.

A comunidade humanitária mantém esforços para garantir a passagem segura de civis, dos suprimentos e serviços médicos. Um total de 6 mil pessoas já receberam alguma forma de auxílio humanitário desde que começaram os confrontos.

Mais de US$ 190 milhões ainda são necessários para financiar as ações de auxílio do plano de resposta humanitária de 2019. No país, pelo menos 820 mil pessoas precisam de assistência e, destas, 250 mil são crianças.

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