ONU alerta para a necessidade de promover “habitação inteligente”

16 abril 2019

Estudos mostram que centenas de milhões de africanos viverão em cidades nas próximas décadas; habitação é responsável por um terço das emissões de gases de efeito de estufa; ONU apela à utilização de biomateriais na construção de habitações.

O continente africano está a sofrer um rápido processo de urbanização, com cada vez mais pessoas a deslocarem-se para a cidade em busca de emprego, educação e saúde. Estudos mostram que centenas de milhões de africanos viverão nas cidades nas próximas três décadas.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, muitos destas pessoas acabarão a viver em assentamentos informais, numa altura em que se estima que haja 200 milhões de africanos a residir em bairros improvisados, muitas vezes sem acesso a energia e a saneamento.

Novas Abordagens

O grande desafio é que o setor de habitação global já emite quase um terço das emissões globais de gases de efeito estufa e usa até 40% dos recursos totais do planeta.Foto ONU/ Kibae Park

Por isso, o Pnuma chama a atenção para o facto da crescente classe de pobres urbanos precisarem de ter acesso a habitação digna.

O grande desafio é que o setor de habitação global já emite quase um terço das emissões globais de gases de efeito estufa e usa até 40% dos recursos totais do planeta.  Para a agência da ONU, são necessárias novas abordagens ao problema.

A diretora-executiva do Pnuma, Joyce Msuya, disse que, à medida que o setor da habitação cresce, é necessário “reduzir o seu impacto ambiental, e não aumentá-lo.”

Para tal, a representante considera que “o design inteligente é a única maneira de atender às necessidades de habitação e permanecer dentro dos limites do planeta."

Projeto

O Pnuma, o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, ONU-Habitat, e o Centro Yale para Ecossistemas na Arquitetura estão a trabalhar em soluções para este problema.

Um dos projetos está em exibição na sede do Pnuma, em Nairobi, no Quénia.

Apresentada pela primeira vez na quarta Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a estrutura modular impressa em 3D, feita a partir de bambu biodegradável, tem como objetivo despertar ideias e debater como futuros processos de biomateriais podem ajudar a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a Nova Agenda Urbana Habitat III e o Acordo de Paris.

O pavilhão mostra como os resíduos pós-agrícolas, como bambu, arroz, soja e milho, podem ser transformados em materiais de construção.

Adicionalmente, o projeto recorre a energia solar e a sistemas de água que tornam as casas autossuficientes e não poluentes, com zero emissões de carbono.

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