ONU elogia maior cooperação do México na promoção dos direitos humanos

10 abril 2019

Alta comissária da ONU fez visita ao país; novo presidente comprometeu-se a promover direitos humanos e combater violência; número de mortes violentas é equivalente ao de um país em guerra, 252.538 desde 2006.

A alta comissária dos Direitos Humanos, Michelle Bachelet, enfatizou a importância do atual momento para o México e congratulou-se pelo compromisso assumido pelo novo presidente do país, Andrés Manuel López Obrador, em “colocar os direitos humanos no centro do seu governo.”

Bachelet terminou esta segunda-feira uma visita de cinco dias ao México, onde apoiou publicamente o que chamou de “importante mudança política”, dizendo que o seu escritório está à disposição para a apoiar. 

Compromisso

A representante considera que a sua visita mostra a abertura daquele país para “fortalecer a cooperação com as organizações internacionais a fim de promover uma sociedade justa que respeite os direitos humanos.”

A alta comissária considera que estes passos são fundamentais e destaca a importância do atual governo reconhecer a responsabilidade do Estado por "graves e generalizadas violações dos direitos humanos." Ela enalteceu o facto de ter tomado algumas medidas para “desvendar a verdade, fornecer justiça, indemnizar as vítimas e garantir a não repetição dessas violações.”

Referindo-se ao caso de Ayotzinapa em que 43 alunos de uma escola desapareceram, em 2014, Bachelet informou que o novo governo se comprometeu a avançar com uma nova investigação, procurar os desaparecidos e “estabelecer a verdade e a justiça para as famílias e as vítimas.”

Bachelet reuniu com alguns dos familiares dos desaparecidos em Ayotzinapa.​​​​​​​Unic México/ Antonio Nieto

Desaparecimentos

Este caso, na opinião da responsável, “pôs em evidência um problema fundamental e abrangente no México, onde mais de 40 mil pessoas desapareceram, um quarto delas mulheres e meninas”. Pelo menos 26 mil corpos não identificados foram oficialmente registados.

Classificando estes números como “profundamente perturbadores” Bachelet recorda que o governo “tem que empregar todos os recursos disponíveis e explorar diferentes opções” para encontrar as vítimas de desaparecimentos forçados.

Em discurso no final da sua visita ao México, a alta comissária destacou também que é igualmente importante que o Estado “impeça novas atrocidades” lembrando que o “número de mortes violentas no México é equivalente ao de um país em guerra, 252.538 desde 2006.”

Violência

Bachelet referiu ainda que o nível de violência continua alto no país, mencionando que, durante os três primeiros meses do governo do presidente López Obrador, foram iniciadas pelo menos 7.299 investigações sobre mortes violentas, juntamente com 240 em femicídios.

O atual governo herda uma situação de extrema violência, mas tanto o presidente quanto as autoridades deixaram a garantia à representante da ONU que iriam concentrar esforços para combater a violência.

Michelle Bachelet apontou ainda a sua preocupação com a superlotação nas prisões e com a tortura generalizada nos centros de detenção, numa altura em que, pelo menos 74% dos detidos afirmam ter sido submetidos a maus-tratos.​​​​​​​

 

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