CSW63: Angola quer ajudar pessoas vulneráveis gerindo melhor recursos disponíveis

13 março 2019

Partilha de experiências com países lusófonos interessa ministra da Ação Social, Família e Mulher; reunião na ONU é vista como momento para promover ganhos em prol da igualdade de género no país.

Garantir apoio à população feminina em situação de fragilidade usando recursos limitados é um desafio para Angola.

A preocupação das autoridades foi revelada à ONU News pela ministra da Ação Social, Família e Mulher em Angola, Faustina Alves, que assumiu o cargo em janeiro passado.

Experiências 

Faustina Alves, ministra da Ação Social, Família e Mulher de Angola
​​​​​​​Reprodução

Falando à margem da 63ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW63, em Nova Iorque, a representante declarou que o país deseja partilhar mais experiências com o mundo. O evento decorre até 22 de março na sede das Nações Unidas.

“Eu diria que a crise econômica que todos os países, de alguma maneira, estão a viver, e nós estamos longe disso, tem levado os cérebros a pensarem profundamente como podem ajudar à população com os poucos recursos que têm. E um deles é fazer levar água potável a toda a população. Porque sabem que tendo água, há higiene, havendo higiene há proteção à saúde, evita-se de ter doenças, diarreias agudas que vão aumentar a mortalidade, principalmente os mais vulneráveis que são as crianças. E essa é uma das grandes preocupações.”

Nos debates nas Nações Unidas, o país pretende acompanhar questões para melhorar em áreas como acesso à saúde, maternidade digna, registo infantil, fuga de paternidade e infeção de crianças pelo HIV.

Angola também espera acompanhar iniciativas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, com vista a reduzir o estado de carência de milhões de mulheres, meninas e suas famílias.

Parceiros

Como parte do Plano de Desenvolvimento Nacional que vai até 2022, Angola revelou que a expectativa na CSW também é revelar os ganhos na liderança da mulher em algumas áreas com impacto no desenvolvimento.OMS/ A. Clements-Hunt

“Estou em crer que dentro da agenda dos convites. Do que recebemos há encontros com a Cplp. O Brasil também vai se encontrar conosco, assim como nós temos um encontro com os da União Europeia. Eles são os parceiros que têm apoiado muitos projetos do país. Vamos ouvir, está para acontecer, e nós vamos passar (a experiência).”

Angola também tem interesse em adaptar iniciativas regionais para reduzir a pobreza para a realidade local. A ideia é ter impacto nas famílias angolanas que dependem de mulheres. A ministra deu o exemplo de programas de envio de fundos.

“Para receber, gostaríamos de ver a nova dimensão que Moçambique estruturou nesta questão das transferências monetárias. Nós sabemos que eles começaram há muitos anos a fazer isto. Também tiveram os seus altos e baixos. Gostaríamos de ver, por exemplo, numa fase atual, o que é eu eles conseguiram concretamente implementar e quais são as vantagens que isto deu. Nós, se fizermos um pensamento global. A transferência monetária é algo que vai para você gastar. Dentro da nossa visão, estamos a pensar com projetos concretos que veem, que fiquem e que as famílias continuem a usufruir do desenvolvimento deste projeto no sentido de que haja sustentabilidade.”

Uma das maiores preocupações é que as famílias apoiadas não voltem ao “grau de vulnerabilidade maior” após receberem apoio financeiro do governo angolano.

Como parte do Plano de Desenvolvimento Nacional que vai até 2022, Angola revelou que a expectativa na CSW também é revelar os ganhos na liderança da mulher em algumas áreas com impacto no desenvolvimento.

 

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