2018 foi o ano mais mortal para as crianças na Síria desde o início do conflito
BR

12 março 2019

Dados do Unicef indicam que 1.106 crianças teriam sido mortas no país; para diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância, “cada dia que o conflito continua é outro dia roubado da infância delas.”

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, 2018 teve o maior número de crianças mortas em um único ano desde o início do conflito na Síria, que entrou para o nono ano. Ao todo, 1.106 crianças teriam sido mortas.

A agência destaca que estes são apenas os dados que a ONU foi capaz de verificar, o que significa que os números verdadeiros sejam provavelmente muito maiores.

Crianças numa escola-tenda na Síria. Foto: Unicef/UN0248372/Watad

Minas

Para a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, “hoje existe um equívoco alarmante de que o conflito na Síria está chegando rapidamente ao fim, e ele não está.” Em nota, a representante disse que “crianças em partes do país continuam em perigo, tanto quanto em qualquer outro momento” do conflito.

De acordo com o Unicef, as minas são agora a principal causa de mortes de crianças em todo o país, com munições não-detonadas responsáveis por 434 mortes e feridos no ano passado.

A chefe do Unicef destacou ainda que “o ano de 2018 também viu 262 ataques contra instalações de educação e saúde, outro recorde”. Fore disse estar particularmente preocupada com a situação em Idlib, no noroeste da Síria, onde uma intensificação da violência matou 59 crianças somente nas últimas semanas”.

Al Hol

Fore alertou que a situação das famílias em Rukban, perto da fronteira com a Jordânia, continua “desesperadora, com acesso limitado a comida, água, abrigo, cuidados de saúde e educação.” Ela acrescentou que está alarmada com “a piora das condições no campo de Al Hol, no nordeste do país, que hoje abriga mais de 65 mil pessoas, incluindo cerca de 240 crianças desacompanhadas ou separadas”.

Segundo dados do Unicef, desde janeiro deste ano, quase 60 crianças teriam morrido durante o trajeto de 300 quilômetros entre Baghouz e o acampamento.

Trabalho e Casamento Infantil

Países vizinhos na região estariam abrigando 2,6 milhões de crianças refugiadas sírias. Fora isso, muitas famílias não podem enviar suas crianças para a escola e devido às poucas oportunidades de terem alguma renda, estariam recorrendo a mecanismos como trabalho e casamento infantil para sobreviver.

Fore aponta que “à medida que a guerra entra em seu nono ano, o Unicef lembra novamente às partes envolvidas no conflito e à comunidade global que são as crianças do país as que mais sofreram e têm mais a perder.” Para a chefe da agência, “cada dia que o conflito continua é outro dia roubado da infância delas.”

 

 

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