Guterres diz que África é “exemplo de solidariedade” com migrantes e refugiados 

9 fevereiro 2019

Secretário-geral está em Adis Abeba, na Etiópia, para participar na Cimeira da União Africana, que começa no domingo; chefe da ONU encontrou-se com meninas do continente que estão aprendendo programação informática.

O secretário-geral da ONU disse este sábado que as nações africanas estão dando um exemplo aos países mais ricos no tratamento de refugiados.

António Guterres falava a jornalistas em Adis Abeba, na Etiópia, depois de uma reunião com o presidente da Comissão da União Africana.

Migrantes

António Guterres em evento sobre programação informática, by Foto ONU / Antonio Fiorente

O chefe da ONU está na capital da Etiópia para participar da Cimeira da União Africana, que reúne chefes de Estado de todo o continente no domingo e segunda-feira. O evento deste ano vai discutir a questão dos refugiados e deslocados internos.

Guterres, que passou dez anos como alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, disse que as fronteiras africanas estão abertas para refugiados e que o continente está na liderança quando se trata de abordar os fluxos migratórios.

O secretário-geral lembrou que, ao contrário da percepção popular, há mais migrantes africanos em outros países do continente do que na Europa. Guterres pediu que os pactos globais da ONU sobre Migração e Refugiados sejam totalmente implementados.

Segundo a Agência das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, a África Subsaariana abriga mais de 26% da população mundial de refugiados. São cerca de 18 milhões de pessoas, devido a conflitos e crises contínuas na República Centro-Africana, Nigéria, Sudão do Sul, Burundi e Iêmen.

Crianças

Na véspera da cimeira, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, alertou que cerca de 13,5 milhões de crianças estão desalojadas no continente e pediu que  os líderes africanos implementem políticas e programas para proteger e capacitar crianças refugiadas, migrantes e deslocadas.

Na conversa com os jornalistas, António Guterres referiu vários eventos positivos, como a reconciliação entre a Etiópia e a Eritréia, o acordo de paz no Sudão do Sul e as eleições em Madagáscar, na República Democrática do Congo e no Mali, que aconteceram de forma pacífica.

O secretário-geral afirmou que os esforços combinados da União Africana e da ONU estão tendo resultados na resolução e prevenção de conflitos. Guterres acredita que o continente está vendo um "vento de esperança" que pode ser estendido a outras partes do mundo.

O chefe da ONU afirmou, no entanto, que não pode haver paz sem desenvolvimento, e que a comunidade internacional deves mostrar mais vontade política, sobretudo na ação climática. 

Guterres disse que o mundo está “perdendo a corrida com a mudança climática e isso pode ser um desastre para a África e para o mundo.” Segundo ele, “a África pagará um preço ainda mais alto por causa dos impactos dramáticos no continente.”

Programação

Em Adis Abeba, o secretário-geral também participou em um evento sobre programação informática para meninas organizado pela ONU Mulheres.

Guterres disse que “estas meninas africanas estão nas linhas da frente para assegurar o equilíbrio de poder entre homens e mulheres, num homem dominado pelos homens.”

 

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