Últimos quatro anos foram os mais quentes já registrados

7 fevereiro 2019

Organização Meteorológica Mundial diz que aumento da temperatura é sinal claro de mudança climática a longo prazo; agência da ONU considera nível de aquecimento durante os últimos quatro anos excepcional; secretário-geral disse que novos dados "confirmam urgência de abordar ação climática".  

Os últimos quatro anos foram os mais quentes desde que há registro. A informação foi confirmada pela Organização Meteorológica Mundial, OMM, dizendo que “um sinal claro de mudança climática a longo prazo continua”.

Uma análise da agência da ONU, publicada esta quarta-feira, mostra que a temperatura média da superfície global em 2018 era de aproximadamente 1,0 ° C acima dos níveis pré-industriais, entre 1850 e 1900.

Guterres disse que continua a trabalhar com os Estados-membros e as partes envolvidas "para garantir a proteção, a segurança e o bem-estar dos civis.”. Foto ONU/Evan Schneider

Secretário-geral

Em nota, o secretário-geral disse estar preocupado com estes dados e afirmou que as novas informações "confirmam a urgência de abordar a ação climática".  

António Guterres disse que para realizar as transformações necessárias, "é preciso aumentar o nível global de ação climática e ambição."

O chefe da ONU destacou ainda a Cimeira de Ação Climática, que acontece a 23 de setembro em Nova Iorque,  e onde Guterres espera ver "ação transformadora em todas as áreas onde esta é necessária."  

Aquecimento

O ano de 2016, que foi influenciado por um forte episódio do El Niño, continua sendo o ano mais quente já registrado, com 1,2 ° C acima da linha de base pré-industrial. As temperaturas médias globais em 2017 e 2015 foram de 1,1 ° C acima dos níveis pré-industriais.

Em nota, o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, disse que "a tendência de temperatura de longo prazo é muito mais importante do que a classificação de anos individuais, e essa tendência é de subida."

O responsável informou que “os 20 anos mais quentes foram registrados nos últimos 22 anos” e que “o grau de aquecimento durante os últimos quatro anos tem sido excepcional, tanto em terra como no oceano.”

Petteri Taalas disse que “o clima extremo e de alto impacto afetou muitos países e milhões de pessoas, com repercussões arrasadoras para as economias e os ecossistemas em 2018.”

Para o secretário-geral da OMM, “muitos dos eventos climáticos extremos são consistentes com o que se espera de um clima em mudança” e “esta é uma realidade que se precisa enfrentar.”

Secas são uma das consequências do aumento das temperaturas, by FAO/Giulio Napolitano

Petteri Talas afirmou ainda que “a redução das emissões de gases com efeito de estufa e as medidas de adaptação ao clima devem ser uma das principais prioridades mundiais.”

Mudanças

A temperatura média global em 2018 foi cerca de 0,38 ° C acima da média de longo prazo entre os anos de 1981 e 2010.

Estas três décadas são usadas como referência pelos Serviços Nacionais de Meteorologia e Hidrologia para avaliar as médias de longo prazo e a variação dos principais parâmetros climáticos, como temperatura, precipitação e vento, que são importantes para setores sensíveis ao clima, como a gestão da água, energia, agricultura e saúde.

Tendência

O ano de 2019 começou dando continuidade a muitas das tendências registradas no ano passado. Segundo a OMM, “ondas de calor intensas estão se tornando mais frequentes como resultado da mudança climática.”

A Austrália teve o seu mês de janeiro mais quente alguma vez medido, com ondas de calor sem precedentes em escala e duração. O estado australiano da Tasmânia teve o seu janeiro mais seco, com incêndios florestais destrutivos.

O calor extremo no hemisfério sul contrastou com o frio extremo em partes da América do Norte.

Para Petteri Talas, "o clima frio no leste dos Estados Unidos certamente não desmente a mudança climática."

O secretário-geral da OMM explicou que “o Ártico está aquecendo o dobro da média global” e que “essas mudanças estão afetando os padrões climáticos fora do Ártico no hemisfério norte.”

Talas afirmou que “o que acontece nos polos não fica nos polos, mas influencia as condições climáticas e climáticas em latitudes mais baixas, onde vivem centenas de milhões de pessoas.”

Em março, a OMM publica a sua declaração completa sobre o estado do clima em 2018.

Esse relatório incluirá uma visão geral das tendências de temperatura, eventos de alto impacto e outros indicadores, como o aumento das concentrações de dióxido de carbono, a quantidade de gelo do mar Ártico e Antártico, o aumento do nível do mar e a acidificação dos oceanos.

 

 

 

 

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