Quase um terço de estudantes no mundo sofreu intimidação ou violência física no último mês

22 janeiro 2019

Nova pesquisa global da Unesco confirma dimensão do problema, mas aponta melhorias; estudo apresentado em Londres revela que bullying diminuiu em quase metade dos 71 países e territórios analisados.

Quase um em cada três estudantes, ou 32%, foi intimidado na escola pelo menos uma vez no último mês. A mesma proporção foi vítima de violência física, segundo a pesquisa “Por trás dos números: Acabar com a violência escolar e bullying”.

O estudo foi divulgado esta terça-feira pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, no Fórum Mundial de Educação.

Esse tipo de violência afeta a saúde mental e física das crianças, by Unicef /Anush Babajanyan VII Photo

Pesquisa

A maior reunião mundial de ministros de educação, que acontece em Londres, no Reino Unido,  reúne dados quantitativos e qualitativos de uma série de pesquisas de 144 países e territórios.

Segundo a pesquisa, o bullying físico é o tipo mais frequente de intimidação em muitas regiões, com exceção da América do Norte e da Europa, onde o bullying psicológico é mais comum.

O bullying sexual é o segundo mais comum em muitas regiões. O problema afeta tanto os alunos do sexo masculino quanto o feminino. O bullying físico é mais comum entre os meninos, enquanto a variedade psicológica é mais frequente entre as meninas. O assédio na internet e por telefone móvel está aumentando.

As crianças que são vistas como diferentes, de alguma forma, têm maior probabilidade de sofrer bullying e a aparência física é a causa mais comum. O segundo motivo mais frequente relatado pelos estudantes diz respeito à raça, nacionalidade ou cor.

Importância

A Unesco explica que o bullying tem um efeito negativo significativo sobre a saúde mental das crianças, a qualidade de vida e o desempenho acadêmico.

As vítimas têm quase três vezes mais probabilidades de se sentirem estranhas na escola e são mais de duas vezes mais propensas a faltar. Também têm piores resultados e maiores probabilidades de deixar de estudar depois do ensino médio.

Em Villanueva, nas Honduras, Darwin na sala de aula que partilhava com o amigo Henry, que cometeu suícidio depois de ser vítima de bullying. , by Unicef/Adriana Zehbrauskas

Melhorias

Segundo o relatório, apesar da gravidade do problema, algumas nações fizeram progressos significativos.

O bullying diminuiu em quase metade dos 71 países e territórios estudados. Uma proporção similar deles viu uma diminuição nas lutas e ataques físicos.

Estes Estados têm em comum vários factores de sucesso, como o compromisso de promover um ambiente escolar seguro e positivo, sistemas eficazes de notificação e monitorização da violência, diferentes programas e intervenções, formação e apoio aos professores e apoio e encaminhamento de alunos.

Liderança

A Unesco afirma que “a liderança política e o compromisso de alto nível, junto com um sistema legal sólido e político, mostraram-se eficazes para reduzir ou manter uma baixa prevalência” deste problema.

Em nota, a diretora geral de Educação da Unesco, Stefania Giannini, disse que a agência “está muito encorajada por quase metade dos países com dados disponíveis terem diminuido as taxas de violência escolar e bullying.”

Segundo ela, “isso prova que através de uma forte liderança política e outros fatores pode se aliviar o clima de medo criado pelo bullying escolar e violência.”

Lembre esta entrevista da representante do secretário-geral sobre Violência contra as Crianças, Marta Santos Pais,  falando sobre o tema:

 

 

 

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