Conheça as 10 ameaças à saúde que a ONU combaterá em 2019

16 janeiro 2019

A Organização Mundial da Saúde reuniu uma lista dos maiores desafios que o mundo enfrenta este ano; ebola, poluição, resistência antimicrobiana, dengue e vacinação estão entre os principais.

O mundo enfrenta desafios na área da saúde, que vão de surtos de doenças evitáveis por vacinação aos agentes que causam doenças e são resistentes a medicamentos e altas taxas de obesidade. Os impactos da poluição ambiental, da mudança climática e das múltiplas crises humanitárias também são fatores de preocupação global.

Para enfrentar essas e outras ameaças, um novo plano estratégico da Organização Mundial da Saúde, OMS, será posto em prática com a duração de cinco anos.

A iniciativa tem como objetivo garantir que mais 1 bilhão de pessoas se beneficiem do acesso à saúde e da cobertura universal de saúde, mais 1 bilhão de pessoas estejam protegidas de emergências de saúde e, por fim, que 1 bilhão de pessoas desfrutem de uma melhor saúde e bem-estar.

Confira a lista organizada pela agência da ONU das 10 questões que precisam de maior atenção da OMS e dos seus parceiros durante 2019. A lista foi traduzida para português pela Organização Pan-Americana da Saúde, Opas.

1- Poluição do ar e mudanças climáticas

Nove em cada 10 pessoas respiram ar poluído todos os dias. Em 2019, a poluição do ar é considerada pela OMS como o maior risco ambiental para a saúde.

Isso resulta na morte prematura de 7 milhões de pessoas todos os anos por enfermidades como câncer, acidente vascular cerebral e doenças cardiovasculares e pulmonares. Cerca de 90% dessas mortes ocorrem em países de baixa e média renda

A principal causa da poluição do ar é a queima de combustíveis fósseis, que também é um dos principais contribuintes para a mudança climática, que afeta a saúde das pessoas de diferentes maneiras. Entre 2030 e 2050, espera-se que as mudanças climáticas causem 250 mil mortes adicionais por ano.

2 - Doenças crônicas não transmissíveis

As doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, câncer e doenças cardiovasculares, são responsáveis por mais de 70% de todas as mortes no mundo, cerca de 41 milhões de pessoas. Isso inclui 15 milhões de pessoas que morrem prematuramente, ou seja, com idade entre 30 e 69 anos. Mais de 85% dessas mortes prematuras ocorrem em países de baixa e média renda.

O aumento da ocorrência dessas doenças tem sido impulsionado por cinco fatores de risco, como o uso do tabaco, a inatividade física, o uso nocivo do álcool, as dietas pouco saudáveis e a poluição do ar.

3 - Pandemia de influenza

O mundo enfrentará outra pandemia de influenza, apenas não se sabe quando chegará e o quão grave será.

Todos os anos, a OMS recomenda quais novas variedades devem ser incluídas na vacina para proteger as pessoas da gripe sazonal. Se uma nova variedade tiver potencial de se tornar uma pandemia, a OMS possui várias parcerias para garantir acesso efetivo e equitativo a diagnósticos, vacinas e tratamentos antivirais, especialmente em países em desenvolvimento.

4 - Cenários de fragilidade e vulnerabilidade

Mais de 1,6 bilhão de pessoas, ou 22% da população mundial, vivem em locais onde crises prolongadas, causadas por uma combinação de fatores como seca, fome, conflitos e deslocamento populacional, e serviços de saúde mais frágeis as deixam sem acesso aos cuidados básicos de que necessitam.

A OMS continuará trabalhando com esses países para fortalecer os sistemas de saúde, de modo a prepará-los para detectar e responder aos surtos, bem como torná-los capazes de prestar serviços de saúde de alta qualidade, incluindo os de imunização.

5 - Resistência antimicrobiana

O desenvolvimento de antibióticos, antivirais e antimaláricos são alguns dos maiores êxitos da medicina moderna. Agora, a eficácia de algumas dessas drogas está acabando. A resistência antimicrobiana ameaça nos mandar de volta a uma época em que não conseguíamos tratar facilmente infecções como pneumonia, tuberculose, gonorreia e salmonelose. A incapacidade de prevenir infecções pode comprometer seriamente cirurgias e procedimentos como a quimioterapia.

A resistência aos medicamentos contra a tuberculose é um grande obstáculo para combater uma doença que afeta cerca de 10 milhões de pessoas e mata 1,6 milhão todos os anos. Em 2017, cerca de 600 mil casos de tuberculose foram diagnosticados como resistentes à droga de combate mais eficaz, a rifampicina.

A OMS trabalha junto a esses setores para implementar um plano de ação global de combate à resistência antimicrobiana, aumentando a conscientização e o conhecimento sobre o tema, reduzindo as infecções e incentivando o uso adequado de antimicrobianos.

6 - Ebola

Em 2018, a República Democrática do Congo teve dois surtos de ebola, que se espalharam para cidades com mais de um milhão de pessoas. Uma das províncias afetadas também está em zona de conflito.

Isso mostra que o contexto em que surge uma epidemia de um agente patogênico que ameaça a saúde global, como o ebola, é crítico

Em uma conferência sobre preparação para emergências de saúde pública, realizada em dezembro de 2018, participantes dos setores de saúde pública, saúde animal, transporte e turismo enfocaram os desafios crescentes para o combate de surtos e emergências em áreas urbanas. Eles pediram à OMS e seus parceiros que considerem 2019 como um "ano de ação sobre a preparação para emergências de saúde".

7 - Cuidados primários de saúde

Os cuidados primários de saúde são geralmente o primeiro ponto de contato que as pessoas têm com seu sistema de saúde e, idealmente, devem fornecer cuidados integrados, acessíveis e baseados na comunidade ao longo da vida.

No entanto, muitos países não têm instalações de atenção primária de saúde adequadas. Em outubro de 2018, a OMS organizou uma importante conferência global em Astana, Cazaquistão, na qual todos os países se comprometeram a renovar seu compromisso com a atenção primária de saúde.

Em 2019, a OMS trabalhará com parceiros para revitalizar e fortalecer a atenção primária de saúde nos países e dar seguimento aos compromissos específicos assumidos na Declaração de Astana.

8 - Relutância para vacinação

A relutância ou a recusa de se vacinar ameaça reverter o progresso feito no combate às doenças evitáveis por imunização.

Esta é uma das formas mais efetivas a nível de custo para evitar doenças. Atualmente, previne-se cerca de 2 a 3 milhões de mortes por ano. Outras 1,5 milhão de mortes poderiam ser evitadas se a cobertura global de vacinação tivesse maior alcance.

O sarampo, por exemplo, registrou um aumento de 30% nos casos em todo o mundo. As razões para esse crescimento são complexas e nem todos os casos se devem à hesitação vacinal. No entanto, alguns países que estavam perto de eliminar a doença vivenciaram seu ressurgimento.

9 - Dengue

A dengue é uma doença transmitida por mosquitos e pode causar sintomas semelhantes aos da gripe. A patologia é uma ameaça crescente à saúde nas últimas décadas e pode ser letal, matando até 20% das pessoas que desenvolvem sua forma grave.

Um grande número de casos ocorre durante estações chuvosas de países como Bangladesh e Índia. Atualmente, no período de sazonalidade, os casos vêm aumentando significativamente e a dengue já está se espalhando para países menos tropicais e mais temperados, como o Nepal, que tradicionalmente não apresentava casos desta doença em seu território.

Estima-se que 40% de todo o mundo está em risco de contrair o vírus da dengue, cerca de 390 milhões de infecções por ano. A estratégia da OMS para controlar a doença visa reduzir as mortes em 50% até 2020.

10 - HIV

Os progressos contra o HIV têm sido enormes para aumentar a consciência das pessoas, fornecer antirretrovirais, cerca de 22 milhões de pessoas estão hoje em tratamento, e oferecer acesso a medidas preventivas, como é o caso da profilaxia pré-exposição (PrEP).

Apesar disso, a epidemia continua a se alastrar, com quase um milhão de pessoas morrendo por HIV/aids a cada ano.

Desde o início da epidemia, mais de 70 milhões de pessoas adquiriram a infecção e cerca de 35 milhões delas morreram. Atualmente, cerca de 37 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com o HIV.

Um grupo cada vez mais afetado são as adolescentes e as mulheres jovens, entre 15 e 24 anos, que estão particularmente em alto risco e representam uma em cada quatro infecções por HIV na África Subsaariana, apesar de serem apenas 10% da população.

A OMS trabalhará com os países para apoiar a introdução do auto teste, para que cada vez mais pessoas que vivem com o HIV conheçam seu status e possam receber tratamento.

 

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