Brasil deverá ser quinto maior mercado audiovisual do mundo em 2020

14 janeiro 2019

Relatório Unctad avaliou peso das indústrias criativas em 130 países; Portugal duplica exportação de produtos criativos numa década; indústria criativa com grande potencial em Cabo Verde.

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, estima que em 2014 o setor das indústrias criativas empregasse mais de 11 milhões de pessoas no Brasil.

O setor da moda continuava a ser o maior subsetor criativo do país, mas o mais recente relatório da Unctad sobre as tendências no comércio internacional de indústrias criativas mostra que foram os subsetores da música, cinema e mídia digitais que mais cresceram.

Indústria Cinematográfica

O setor da moda continua a ser o maior subsetor criativo do Brasil.Banco Mundial/ Chhor Sokunthea

O Brasil representa já o 11º maior mercado audiovisual do mundo e estima-se que em 2020 seja o quinto maior. A Unctad explica este crescimento exponencial com as crescentes sinergias que têm sido feitas com a indústria cinematográfica dos Estados Unidos. Entre 2010 e 2014, os dois países colaboraram em mais de 100 coproduções.

De acordo com a publicação, 5.5% dos brasileiros trabalham nas indústrias criativas em mais de 320 mil empresas. No total, o setor gera 2.6% do Produto Interno Bruto, PIB, do país, um crescimento de 70% face à década anterior.

Portugal

Olhando para a economia portuguesa, o relatório da Unctad mostra que as exportações de bens criativos duplicaram dos $US 843.6 milhões em 2005 para US$1.6 bilião em 2014.

Produtos de design de interiores e artigos de moda representam a maioria das vendas para outros mercados.  Segundo a Unctad, Portugal é já um dos maiores exportadores de têxteis da Europa.

Em 2014, o setor cultural e criativo gerou 5,3 bilhões de euros, o que corresponde a 3,6% de toda a riqueza criada em Portugal. Isso significa que este setor vale mais do que a indústria de alimentos (2,3%) ou do que a indústria têxtil (2,3%).

Cabo Verde

O Unctad considera que, apesar da economia criativa em Cabo Verde ainda ter um peso reduzido, tem muito potencial. Segundo a agência da ONU, é difícil determinar o peso das indústrias criativas uma vez que a economia informal do setor é de 66%.

A agência da ONU recomenda ao país que estabeleça um observatório para as economias criativas, promova um programa para a educação criativa e formule políticas para a exportação de produtos sob a marca de Cabo Verde.

Moçambique

Em Moçambique, um dos subsetores que mais prosperou foi a música, graças ao crescente envolvimento em inúmeras iniciativas musicais regionais e nacionais.Foto: ONU News/Ouri Pota

Em Moçambique, em 2014, as exportações de bens criativos representaram menos de US$ 1 milhão, uma queda acentuada em comparação aos US$ 23,7 milhões de 2009.

Os principais mercados de destino para bens criativos moçambicanos foram África a Europa.  Um dos subsetores que mais prosperou foi a música, graças ao crescente envolvimento em inúmeras iniciativas musicais regionais e nacionais.

Mundo

Ainda de acordo com a Unctad, em termos mundiais, a dimensão do mercado global de bens criativos expandiu-se substancialmente, duplicando de tamanho, de US$ 208 bilhões, em 2002, para US$ 509 bilhões em 2015.

Embora a crise financeira tenha afetado a criação, produção e distribuição de bens criativos, o seu desempenho comercial tem sido consistente, com uma taxa média de crescimento superior a 7% entre 2002 e 2015.

Para a diretora da Divisão de Comércio da Unctad, Pamela Coke-Hamilton, a economia criativa “tem valor comercial e cultural.”

A dimensão do mercado global de bens criativos expandiu-se substancialmente, duplicando de tamanho, de US$ 208 bilhões, em 2002, para US$ 509 bilhões em 2015.Foto: Unifeed/Reprodução

A representante informou ainda que “governos de todo o mundo estão a expandir e a desenvolver as suas economias criativas como parte de estratégias de diversificação económica e esforços para estimular o crescimento econômico, a prosperidade e o bem-estar.”

No entanto, apesar das boas taxas de crescimento, as condições de mercado pioraram entre 2014 e 2015, resultando numa queda de 12% no comércio.

No período de 2002 a 2015, a participação das economias em desenvolvimento no comércio de bens criativos foi marcadamente mais elevada do que nas economias desenvolvidas, impulsionada principalmente pelo desempenho da China.

O design, a moda e o cinema representam a maioria do comércio mundial de produtos criativos. Perante estes números, a Unctad conclui que a “economia criativa pode catalisar mudanças e construir sociedades mais inclusivas, conectadas e colaborativas."

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